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Incerteza ganha força em um futebol francês paralisado pelo coronavírus

05/04/2020 15h05

Paris, 5 Abr 2020 (AFP) - Quebra-cabeça com o calendário, dúvidas sobre a duração do confinamento e da suspensão dos direitos de transmissão: a hipótese de um cancelamento definitivo do Campeonato Francês ganha força em plena crise do coronavírus, embora alguns ainda rejeitem este cenário.

Pouco a pouco, o discurso evolui. Após três semanas de suspensão do campeonato, a ideia dominante entre os dirigentes dos clubes já não é o reinício "custe o que custar" da competição, com algumas vozes começando a cogitar outras possibilidades.

O presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, admitiu na edição dominical do diário L'Equipe que "hoje há mais incertezas" e que as possibilidades de "terminar todos os jogos são mais escassas".

O presidente do Brest, Denis Le Saint, não escondeu o ceticismo ao afirmar com todas as letras que "a temporada pode não ser reiniciada".

Esta hipótese causou diferentes reações entre outros mandatários da Ligue 1.

Alguns entendem esta possibilidade, como garantiu à AFP o presidente do Amiens, Bernard Joannin: "Le Saint tem um posicionamento muito humano que coloca a saúde à frente de tudo. É uma maneira de ver as coisas compartilhada por muitos no mundo do futebol".

"É preciso entender que o único comandante é a Covid-19. Infelizmente é ela que dita o ritmo", continuou.

Outros clubes sentem indignação com o discurso apocalíptico. "Queremos que o campeonato termine se for possível. Me incomoda ver algumas pessoas com uma espécie de vergonha em assumir que o futebol quer voltar no momento apropriado. Eu admito querer isso em alto e bom tom", afirmou à AFP o diretor-geral do Le Havre (2ª divisão), Pierre Wantiez.

"Essa teimosia de dizer: 'Acabou, não podemos fazer nada', eu acredito ser precipitada. É uma hipótese que existe, mas vamos esperar antes de dizer que está tudo acabado", continuou.

"Quando pudermos retomar o campeonato, precisamos chegar até o fim (...) para salvar as receitas dos 40 clubes (da Ligue 1 e Ligue 2), porque os 40 estamos no mesmo barco", garantiu o novo presidente do Rennes, Nicolas Holveck.

- "É urgente esperar" -Mas a situação pode acabar atrapalhando os planos dos dirigentes. O confinamento na França foi prolongado até pelo menos 15 de abril e a maioria dos clubes, e muitos jogadores, passaram a seguir regras de trabalho parcial, com algumas estrelas estrangeiras, como o astro Neymar, tendo voltado para seus países de origem.

E, para piorar, os detentores dos direitos de televisão, Canal+ e beIN Sports, suspenderam os pagamentos ao campeonato, principal fonte de receita dos clubes.

Neste contexto, a Liga de Futebol Profissional (LFP), que vem multiplicando as teleconferências, tenta temporizar à medida que solta poucas informações sobre os planos futuros.

"Hoje, quem pode dizer o que vai acontecer? Estamos nos preparando para tudo. No momento, acredito que é urgente esperar", justificou à AFP Olivier Delcourt, presidente do Dijon.

"É um debate estéril (...) É sempre preciso tentar se antecipar, mas não é urgente tomar uma decisão agora", palpitou o presidente do Auxerre (2ª divisão), Francis Graille.

"Não adianta falar e não dizer nada. Vamos tomar nosso tempo para analisar a situação. Precisamos de 15 dias para ver como evoluem as coisas", completou Bernard Joannin.

- Duas semanas cruciais -Serão duas semanas para esclarecer o que irá acontecer em vários frontes.

Na questão dos direitos de transmissão, negociações com o Canal+ acontecerão a partir desta semana, e um dos interlocutores será o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, que também é o homem forte da beIN mídia, confirmaram fontes concordantes.

Na questão do calendário, é necessário mais tempo para tomar uma decisão, já que também depende da postura das autoridades em relação à duração do confinamento obrigatório da população. E, em um nível mais baixo, depende também da Fifa e da Uefa. A primeira precisa definir como será feita a próxima janela de transferências, enquanto a segunda se mostrou disposta a adiar as competições europeias até julho ou agosto para dar tempo para que sejam concluídos os campeonatos nacionais.

Mas, de acordo com diversos dirigentes, é preciso definir rapidamente uma "data limite" para o reinício do campeonato.

Pierre Wantiez alerta: "Um reinício sem data limite repercutirá no campeonato seguinte".

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