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Reino Unido poderá demorar 6 meses para voltar à vida normal após coronavírus

29/03/2020 15h14

Londres, 29 Mar 2020 (AFP) - O Reino Unido pode demorar seis meses ou mais para retornar a uma vida normal devido à pandemia do novo coronavírus, advertiu neste domingo a vice-chefe do Serviço de Saúde da Grã-Bretanha, Jenny Harries.

Ela afirmou que é "perigoso" encerrar de maneira súbita o confinamento ao qual a população está submetida atualmente, pois isto poderia provocar um ressurgimento do vírus.

"Durante os próximos seis meses faremos um balanço a cada três semanas", declarou, antes de considerar "possível que possamos superar" este prazo.

"Mas isto não quer dizer que permaneceremos em confinamento total por seis meses", explicou Harries.

"Poderemos, esperamos, adaptar de maneira progressiva algumas medidas de distanciamento social e voltar de maneira progressiva à normalidade", disse.

O governo britânico decretou na segunda-feira um confinamento geral da população durante ao menos três semanas para tentar frear a propagação da epidemia, que deixou 1.228 mortos e 19.522 infectados, segundo um balanço publicado neste domingo.

Apenas lojas básicas ainda estão abertas e as pessoas só podem sair de casa para fazer compras, receber cuidados médicos ou se exercitar uma vez por dia.

- Mais mortos -Segundo Jenny Harries, o número de mortes continuará a crescer "por uma semana, possivelmente duas", antes que essas medidas comecem a surtir efeito.

Entre os mortos, há um médico de 55 anos, um sanitarista que atuou na linha de frente do combate ao Covid-19, que morreu no Reino Unido, segundo os serviços sanitários.

Neste domingo, o ministro Michel Gove, muito próximo do "primeiro-ministro" Boris Johnson, alertou os britânicos que eles deveriam se preparar para um "longo período" de crise.

"Não posso fazer uma previsão precisa, mas acredito que todos devem se preparar para um longo período" de confinamento, disse Michael Gove à BBC.

"É crucial, por enquanto, que respeitemos durante as próximas semanas as diretrizes rígidas que foram estabelecidas em relação ao distanciamento social", acrescentou.

No jornal Sunday Times, o epidemiologista Neil Ferguson, do Imperial College London, que assessora o executivo, estimou que o confinamento deve ser aplicado "provavelmente até o final de maio, talvez no início de junho. Maio é otimista".

Em uma carta a 30 milhões de famílias britânicas, Boris Johnson alertou que a situação "piorá antes de melhorar" e que a adesão às regras de confinamento permitirá um retorno "normal" mais rapidamente.

"Mas não hesitaremos em ir além se cientistas e médicos nos disserem para fazer isso", acrescentou.

O próprio primeiro-ministro foi declarado positivo para o Covid-19, depois de apresentar "sintomas leves", embora continue liderando a resposta contra o coronavírus, segundo Downing Street.

Stephan Powis, diretor médico do sistema de saúde público inglês NHS England, disse no sábado que se o país conseguir conter o número de mortos sob a barreira dos 20.000, isso já seria "um bom resultado".

Além disso, informou que os hospitais do país ainda não estavam saturados, mas que continuariam a abrir leitos devido ao aumento de pacientes, especialmente em Londres, onde a doença progrede rapidamente.

O Reino Unido também quer aumentar o ritmo dos testes de diagnóstico e poder executá-los para 25.000 pessoas por dia nas próximas semanas, de acordo com Michael Gove.

Por outro lado, o ministro acusou a China, onde o vírus surgiu, de não ter sido suficientemente claro em suas explicações sobre "o escopo, a natureza e a capacidade infecciosa" da doença.

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