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Zema evita conflito com Bolsonaro: 'estamos lidando com o desconhecido'

Governador prometeu seguir com medidas de isolamento social em MG - Pedro Gontijo/Imprensa MG
Governador prometeu seguir com medidas de isolamento social em MG Imagem: Pedro Gontijo/Imprensa MG
do UOL

Do UOL, em São Paulo

26/03/2020 08h57

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), preferiu não entrar em atrito com Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo após o pronunciamento polêmico do presidente na última terça-feira. Zema adotou um tom conciliatório entre o governo federal e os governadores estaduais.

"Estamos lidando, de certa maneira, com o desconhecido. Ainda não há consenso sobre o melhor a ser feito", disse Zema em entrevista ao jornal O Globo, em referência às medidas de prevenção à pandemia de covid-19, que vem acumulando novos casos no País nos últimos dias.

No entanto, ele não apoia o relaxamento do isolamento social como defendeu o presidente. "Eu não recomendaria falar que a situação está normal, até porque nós sabemos que a doença pode ser fatal para diversos grupos de risco."

Para o território mineiro, Zema pretende continuar seguindo as medidas de confinamento e isolamento social recomendadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). "Não dá para radicalizar, parar 100%, e nem flexibilizar e ficar tudo normal como antes", afirmou o governador.

Um dia após o clima esquentar na reunião com governadores do Sudeste e Bolsonaro, quando houve bate-boca entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente, Zema se esquivou da polêmica. "Gosto muito do presidente e me relaciono muito bem com os governadores. Estou do lado de todos", afirmou.

Zema demonstrou maior preocupação com as medidas econômicas que terão de ser adotadas pelo governo federal para evitar o impacto da crise pelo coronavírus.

"O governo terá de estudar uma alternativa, como já foi feito em vários outros países, no sentido de ter um caminho intermediário, em que empresa arque com uma parte da remuneração, o governo com uma parte e o empregado abra mão de uma parte. Caso contrário, as empresas não vão conseguir arcar, e vamos talvez não ter uma recessão econômica, mas uma depressão", opinou.

Adiamento das eleições e cortes no funcionalismo

Zema foi enfático ao defender o adiamento das eleições municipais. "Vimos que as Olimpíadas serão adiadas. Por que não adiamos as eleições também?", indagou, sugerindo que o fundo eleitoral seja revertido para o combate à covid-19.

Para o governador mineiro, a redução nos salários dos políticos e servidores públicos também seria outra medida que ajudaria o País a passar pela crise econômica. "O setor público no Brasil se transformou, de certa maneira, em um lugar para as pessoas enriquecerem ou terem uma vida de privilégios", acusou Zema.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado, o nome do governador de Minas Gerais é Romeu Zema, e não Romeu Zuma. A informação foi corrigida.

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