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Sindicato de enfermeiros critica Macron e denuncia graves carências nos hospitais

26/03/2020 12h53

O porta-voz do Sindicato Nacional de Enfermeiros da França, Thierry Amouroux, fez duras críticas ao anúncio feito pelo presidente Emmanuel Macron de um aumento expressivo de verbas para o setor da saúde. A situação nos hospitais públicos do país é dramática em algumas regiões, diante da afluência de doentes da Covid-19 e da escassez de equipamentos pessoais de proteção.

O porta-voz do Sindicato Nacional de Enfermeiros da França, Thierry Amouroux, fez duras críticas ao anúncio feito pelo presidente Emmanuel Macron de um aumento expressivo de verbas para o setor da saúde. A situação nos hospitais públicos do país é dramática em algumas regiões, diante da afluência de doentes da Covid-19 e da escassez de equipamentos pessoais de proteção.

Em um pronunciamento na noite de quarta-feira (25), em Mulhouse (leste), uma das regiões mais afetadas pela epidemia de coronavírus na França, Macron falou em "aumento de salários" e "investimentos maciços" nos hospitais públicos, sem citar concretamente qualquer cifra.

Para o enfermeiro Thierry Amouroux, as promessas de Macron são palavras ao vento. O representante sindical lembra que o presidente francês anunciou medidas salariais para encerrar uma longa greve de médicos e enfermeiros na rede pública em 20 de novembro do ano passado. No entanto, o projeto de lei do Executivo enviado ao Parlamento resultou num bônus de 66 euros para apenas 11% dos enfermeiros, limitado aos profissionais em início de carreira. Além disso, essa gratificação só foi atribuída aos enfermeiros de quatro dos 100 departamentos franceses. "É fácil ver o fosso entre o discurso e as ações concretas", lamenta Amouroux.

O sindicalista também acusa o governo de "incompetência" diante da escassez de máscaras de proteção para o pessoal que atende pacientes com a Covid-19 nos hospitais e consultórios particulares. "As autoridades foram incapazes de compor estoques estratégicos para enfrentar a epidemia e perderam dois meses, entre dezembro e o fim de fevereiro, quando surgiram os primeiros casos da infecção viral na França", argumenta. Médicos e coletivos de enfermeiros entraram com ações na Justiça contra o primeiro-ministro Édouard Philippe, a ex-ministra da Saúde Agnès Buzyn e o atual titular da pasta, Olivier Véran. Eles são acusados de negligência na gestão da epidemia.

Falta crônica de máscaras

Amouroux relatou à rádio France Info que os médicos e enfermeiros dos grandes hospitais universitários franceses dispõem de apenas uma a duas máscaras por dia, sendo que eles passam 12 horas em contato com doentes contaminados. Para serem eficazes, as máscaras cirúrgicas mais simples devem ser trocadas a cada três horas. As enfermeiras autônomas, que atendem em consultórios ou visitam doentes em casa, têm acesso a 18 máscaras por semana desde meados de março, denuncia Amouroux.

A França tem oficialmente 25 mil contaminados pelo novo coronavírus, mas médicos apontam para quase 42 mil novos casos diagnosticados em apenas uma semana. Os números oficiais divulgados diariamente pelo governo não coincidem com a realidade da propagação da epidemia no país.

Estudantes de enfermagem reforçam hospitais

Com os hospitais saturados de pacientes com o novo coronavírus no leste do país e também na região metropolitana de Paris, o Ministério do Trabalho anunciou nesta quinta-feira (26) que estudantes de enfermagem e auxiliares vão receber ajuda financeira proveniente do Fundo de Investimentos em Competências (PIC) para dar apoio nos hospitais.

O ministério vai pagar € 1.400 aos estudantes de enfermagem, contra uma gratificação atual de apenas € 112 a € 200 por mês. Os estágios, até agora não remunerados para alunos do curso de auxiliar de enfermagem, serão remunerados à altura de € 1.000 por mês. No leste da França, 6.600 estudantes em enfermagem e 1.600 auxiliares já reforçam as equipes hospitalares, após a liberação de € 11 milhões pelo ministério.

Na região metropolitana de Paris, que atravessa uma aceleração da epidemia, as autoridades desbloquearam € 18 milhões para remunerar 9.500 aprendizes.

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