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Petrobras seguirá com venda de ativos apesar coronavírus e choque de preços

26/03/2020 14h58

Por Marta Nogueira e Gram Slattery

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras seguirá adiante com seu plano bilionário de desinvestimentos, que inclui a venda de oito refinarias e infraestruturas relacionadas, apesar do cenário de queda de preços do petróleo e de um choque de oferta, afirmou nesta quinta-feira o presidente da petroleira estatal, Roberto Castello Branco.

A afirmação foi feita após a empresa ter anunciado nesta quinta-feira um conjunto de ações para lidar com a atual crise, incluindo corte de investimentos para 2020, redução da produção em março, menores gastos operacionais, adiamento do pagamento de dividendos, dentre outras iniciativas.

O plano de negócios da Petrobras prevê desinvestimentos entre 20 bilhões e 30 bilhões de dólares para o período 2020-2024, tendo a maior concentração nos anos de 2020 e 2021, tendo as refinarias como alguns dos principais ativos.

"Vamos continuar com nosso programa de desinvestimentos... observando as avaliações. Se o preço das ofertas forem abaixo das nossas estimativas, claro, nós não vamos em frente com o processo", afirmou Castello Branco, ao participar de videoconferência com investidores.

"Não vimos nenhum sinal de falta de interesse dos potenciais compradores de ativos, pelo contrário, ontem eu recebi uma mensagem de um deles assegurando interesse no ativo, dizendo que apesar da crise continuava interessado em comprar."

O executivo, no entanto, ponderou aos investidores que o cenário global atualmente é muito incerto, diante da menor demanda por petróleo, pelo coronavírus, em um momento em que grandes produtores, como Arábia Saudita e Rússia, também ofertam mais para ganhar mercado, o que colaborou com a queda de 60% no petróleo Brent desde o início do ano.

Outros diretores também participaram da videoconferência, transmitida online, todos em suas residências devido aos cuidados para evitar o coronavírus.

REFINARIAS

A diretora-executiva de Refino e Gás Natural, Anelise Lara, lembrou que o prazo para a entrega de propostas para as refinarias foi adiado recentemente, em função das medidas de prevenção ao coronavírus, mas frisou que a empresa não acredita que a crise atual irá afetar o preço de venda, sem apresentar detalhes sobre quais as expectativas da companhia.

A executiva pontuou ainda que a Petrobras decidiu adiar paradas programadas para manutenção em refinarias, para evitar aglomerações de pessoas, uma das medidas recomendadas por autoridades para evitar a disseminação do coronavírus.

"Nós queremos reduzir o número de empregados trabalhando durante essa crise para evitar contaminação e os efeitos do coronavírus", afirmou Lara.

Sobre os efeitos da crise para as atividades de refino, Lara afirmou que o fator de utilização das refinarias sofreu redução em meio a uma queda na demanda por combustíveis e está atualmente em 74%, contra média de 79% em 2019.

"Observamos uma redução na demanda de derivados de petróleo e, provavelmente, teremos algumas reduções nessa taxa de operação em abril e maio", afirmou.

Lara destacou que houve uma redução na demanda por combustível de aviação e gasolina. No caso do óleo diesel, ela afirmou que também houve decréscimo nas compras, mas em um nível menor, devido a um suporte do setor de agronegócios.

Do lado positivo, a diretora destacou que ainda há "bom apetite" por combustível naval (bunker). Segundo ela, a companhia está trabalhando para adequar a produção das refinarias para atender melhor produtos que mantenham ainda uma boa demanda.

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