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O alto preço pago pelo clero da Itália por causa do coronavírus

26/03/2020 09h55

Bérgamo, Itália, 26 Mar 2020 (AFP) - Eles oficiam funerais, visitam doentes e, muitas vezes, são idosos. Os padres estão pagando um preço alto pelo coronavírus na Itália, um país gravemente atingido pela pandemia.

"O padre deve estar sempre próximo do povo. Para o bem e para o mal, essa é a razão de ser dele", declara Dom Giulio Dellavite, secretário geral do bispado de Bérgamo (norte).

A cidade da Lombardia e sua província são as mais afetadas pela pandemia, que atingiu fortemente a Itália. E os padres da paróquia, a maioria de idade avançada, também não são poupados.

Dos 67 padres italianos infectados e falecidos desde o início da pandemia, mais de 20 morreram na diocese de Bérgamo, incluindo um bispo, de acordo com um balanço publicado na quarta-feira pelo jornal da conferência episcopal italiana, Avvenire.

Os padres estão particularmente expostos, uma vez que visitam os doentes e oficiam funerais na presença dos parentes mais próximos do falecido.

Apesar dos riscos, Dom Giuseppe Locatelli, pároco de Albino, não quer desistir de seu trabalho. "Devo admitir que os padres estão na segunda linha. Médicos e enfermeiros estão na linha de frente, com os riscos que correm todos os dias. Nós corremos menos riscos", disse ele à AFP.

"Nossos padres da paróquia morrem porque não calculam os riscos", acrescenta Dellavite.

O padre Giuseppe Berardelli, pároco de Casnigo, perto de Bérgamo, foi um deles.

"Não sabendo que o vírus era tão perigoso, ele continuou seu trabalho, indo às casas para celebrar funerais. E quando foi infectado, não parou de imediato", conta Gianbattista Guarini, de 49 anos, dono de uma tabacaria na localidade, a nordeste de Bérgamo.

Giuseppe Berardelli morreu na madrugada de 16 de março, aos 72 anos, no hospital Lovere.

O padre Locatelli diz que foi "abençoar o corpo de um homem em seu leito de morte". "Eu fui porque era uma situação especial. Havia sua esposa e seu filho deficiente em uma cadeira de rodas. Eles estavam sozinhos".

"Os padres adoecem e morrem como todas as outras pessoas, talvez mais do que os demais, embora agora seja muito difícil se aventurar nesse tipo de contagem estatística", disse Avvenire no balanço divulgado na quarta-feira.

A vítima mais jovem, o padre Alessandro Brignone, de 45 anos, era pároco da diocese de Salerno, na Campânia, ao sul de Nápoles.

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