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Confusão nas estatísticas na França: médicos apontam quase 42 mil novos casos da Covid-19

26/03/2020 13h23

A França tem oficialmente 25 mil pacientes diagnosticados com o novo coronavírus. No entanto, médicos apontam para quase 42 mil novos casos da doença em apenas uma semana.

A França tem oficialmente 25 mil pacientes diagnosticados com o novo coronavírus. No entanto, médicos apontam para quase 42 mil novos casos da doença em apenas uma semana.

Os números oficiais divulgados diariamente pelo governo francês não estão coincidindo com a realidade da propagação da epidemia no país. Segundo dados anunciados pelo diretor-geral da agência de Saúde Pública, Jérôme Salomon, 25.233 mil pessoas testaram positivo para a doença desde o início da epidemia. Entretanto, poucos infectados têm acesso ao exame. Ou seja, a quantidade de contaminados é muito maior.

A agência de Saúde Pública divulgou nesta quinta-feira (26) que "41.836 novos pacientes da Covid-19 consultaram um clínico geral" entre os dias 16 e 22 de março em todo o país. As regiões mais afetadas pela doença continuam sendo o leste, Paris e arredores e o País do Loire, no noroeste do território.

Esses dados mostram que as estimativas oficiais estão aquém da realidade. O motivo é que apenas casos considerados graves e que necessitam de hospitalização rápida são testados atualmente. A recomendação do próprio Ministério da Saúde é que a população contate o Samu apenas em situação de emergência e que os sintomas leves sejam administrados em casa pelos doentes, após teleconsulta com o clínico geral.

Mais de 1.300 mortos desde o início da epidemia

Na noite de quarta-feira (25), Salomon atualizou o balanço de vítimas da Covid-19, citando 1.331 mortos desde o início da epidemia - um saldo multiplicado por cinco em apenas uma semana. Há mais de 11.500 pessoas hospitalizadas: 2.827 entre a vida e a morte. O próprio diretor da agência já advertiu que os óbitos nos hospitais representam "apenas uma pequena parte da mortalidade" do vírus. As mortes registradas em casas de repouso, por exemplo, não estão sendo contabilizados nas estatísticas. Segundo ele, a epidemia "será longa e os próximos dias serão particularmente difíceis".

A Covid-19 fez sua primeira vítima fatal entre membros da segurança pública nesta quinta-feira. Um policial militar de 51 anos morreu depois de ter contraído a doença. Ele estava confinado em sua casa há alguns dias e seu estado de saúde se agravou rapidamente na última noite, sem que tenha havido tempo para hospitalização. As autoridades tentam agora restabelecer todo o percurso que o policial militar fez nas últimas semanas e todas as pessoas com quem ele teve contato.

Coronavírus pela Europa

A Itália continua sendo o país mais atingido pela doença no mundo, tendo já superado a China em número de mortos. São mais de 7.500 óbitos no território italiano. A situação também é crítica na Espanha, que contabiliza mais de 4 mil mortos.

A Alemanha anunciou nesta quinta-feira um aumento nas contaminações, com mais 5 mil casos em 24 horas. O país registra mais de 36.500 contaminados e 198 mortes desde o início da epidemia.

O súbito aumento no número de infectados também se deve à estratégia de Berlim de testar todos os casos suspeitos. O país realiza 500 mil exames por semana, o que contribui para o tratamento rápido dos doentes e de um número de mortos relativamente baixo em relação a outros países europeus.

No Reino Unido, os hospitais públicos de Londres enfrentam um "tsunami" de internações. O país tem quase 10 mil contaminados e 463 mortos e o cenário deve se agravar nos próximos dias. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, demorou a tomar medidas efetivas contra a propagação da Covid-19 por acreditar na estratégia de contaminação geral para a imunização da população.

Já a Rússia anunciou que vai suspender todos os voos internacionais que chegam e saem do país, a partir da meia-noite de sexta-feira (27). O governo russo raramente informa o número de vítimas da Covid-19, mas anunciou na quarta-feira (25) que, oficialmente, contabiliza 658 contaminados e duas mortes.

Além do fechamento de alguns locais públicos, Moscou adotou, até o momento, poucas medidas para conter o vírus. Em um discurso na quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, decretou feriado nacional para a próxima semana, sem estabelecer o confinamento obrigatório, além de adiar o voto sobre a reforma constitucional que pretende realizar.

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