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BCE acaba com limite auto-imposto para a recompra de dívidas

26/03/2020 10h09

Frankfurt am Main, 26 Mar 2020 (AFP) - O Banco Central Europeu renunciou a um importante limite que se auto-impôs para a recompra de títulos no mercado, lançando novas medidas para combater os efeitos do coronavírus na economia.

O limite que estabelecia que a instituição não podia deter mais de 33% do estoque de dívida de um determinado Estado "não se aplica" no âmbito do plano de emergência de 750 bilhões de euros decidido em 19 de março para tentar conter as repercussões econômicas da pandemia de coronavírus, de acordo com um documento divulgado pelo BCE na quarta-feira à noite.

Esse limite foi reproduzido de 2015 a 2018 durante a primeira fase de suas compras maciças de dívidas, que acumularam 2,6 trilhões de euros e que foram retomadas desde novembro do ano passado.

No entanto, a instituição monetária havia especificado, ao anunciar seu plano sem precedentes diante da pandemia, que queria organizar suas compras no mercado de uma "maneira flexível".

A instituição relaxou sua regras, porque "não tolerará nenhum risco sobre a implementação de sua política monetária em todos os países" na região, aponta o documento publicado online.

Ao comprar massivamente dívidas de Estados e de empresas da zona do euro nos mercados, o BCE espera aliviar os bancos e incentivá-los a manter ou até aumentar seus empréstimos a famílias e empresas e, assim, apoiar a produção e o emprego.

A decisão do BCE de ultrapassar o limite de compras de ativos "é uma bomba", comemorou Frederik Ducrozet, estrategista da Pictet Wealth Management.

A partir de agora, a instituição poderá apoiar "países afetados (pela pandemia) como a Itália", comenta Florian Hense, analista da Berenberg.

"Enquanto o Eurogrupo de ministros das Finanças procrastina (...) o BCE continua mantendo suas promessas", acrescentou.

O assunto de recompras massivas de dívida permanece delicado, principalmente na Alemanha, onde o Tribunal Constitucional ainda não se pronunciou sobre a validade do "QE". Os eurocéticos querem estabelecer que, por meio dessa ferramenta, o BCE violou a proibição de financiar Estados.

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