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Supercarro lançado por Fittipaldi nunca saiu do papel e só existe em games

Emerson Fittipaldi apresenta EF7 no Salão de Genebra 2017 - Divulgação/Newspress
Emerson Fittipaldi apresenta EF7 no Salão de Genebra 2017
Imagem: Divulgação/Newspress
do UOL

Alessandro Reis e Rodrigo Mora

Do UOL, em São Paulo

24/03/2020 04h00

No Salão de Genebra de 2017, em meio a centenas de estreias de marcas tradicionais, um superesportivo se impunha não apenas pelas linhas audaciosas, proporcionais e cheias de função e efeito. Suas principais credenciais eram outras: projetado por Emerson Fittipaldi e desenhado pelo estúdio Pininfarina.

Três anos depois, porém, o que tinha tudo para se tornar um dos carros esportivos mais desejados do mundo não saiu do papel. As 39 unidades prometidas nunca foram produzidas, o automóvel apresentado em Genebra era apenas um mockup e o mais próximo que os fãs podem chegar do modelo é o mundo virtual, com a sua participação nos games de corrida.

Bicampeão de Fórmula 1, campeão da Fórmula Indy e duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Emerson foi criterioso quanto ao nome e ao número de unidades que seriam produzidas do Fittipaldi EF7 Vision Gran Turismo by Pininfarina.

"EF7" juntava as iniciais do piloto ao número que remetia a pontos importantes em sua vida: além de estrear na F-1 na década de 70 e, na época da apresentação do carro, ter 70 anos, sete é a quantidade de filhos e de netos que tem.

Quanto às 39 unidades que seriam produzidas, outra romântica razão: trata-se da soma de vitórias (36) e títulos (3) que o brasileiro conquistou na Fórmula 1 e na Indy. "Minha vida está nesse carro", confessou Fittipaldi ao UOL Carros durante entrevista realizada numa salinha improvisada no estande da Pininfarina, em 2017.

Alain Grosclaude/AFP
Imagem: Alain Grosclaude/AFP

Tanto estava que Fittipaldi chegou até a contatar um ex-presidente. "Há cerca de nove anos, levei a ideia ao então presidente Lula, acreditando que assim como o Brasil tem aviões nacionais feitos pela Embraer, tínhamos que ter algo similar em relação aos automóveis", contou naquela entrevista há três anos.

"Não tive o apoio que achei que precisava e, pouco tempo depois, o Paulo Skaf [presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e que também foi candidato a governador de São Paulo] também tentou abraçar o projeto, mas nada foi adiante", revelou.

Persistente, Fittipaldi levou o projeto ao fundador da AMG, braço da Mercedes-Benz para carros esportivos. Hans Werner Aufrecht topou o desafio. A oficina onde eram preparados os bólidos da Mercedes-Benz na DTM, categoria de automobilismo bastante popular na Europa, também confeccionaria o EF7, dotado de um 4.8 V8 de 600 cv e formado por uma carroceria em fibra de carbono.

O carro partiria do zero, sem emprestar base alguma de modelos já existentes. "Só tentei manter uma distribuição de peso de 48% na frente e 52% atrás e um entre-eixos similar ao da Ferrari, fazendo um carro que atendesse a motoristas de todos os níveis de habilidade. Se for um piloto, pode pedir um ajuste mais arisco da suspensão, por exemplo", detalhou à época.

Não havia preço definido, mas a estimativa do próprio Fittipaldi era começar em US$ 1 milhão. Exemplares dedicados a corridas especiais, como as vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis (1989 e 1993), poderiam valer ainda mais.

Tudo parecia estar realmente próximo de acontecer. "Muita gente já me ligou dizendo que queria o número 1", afirmou Emerson na época do lançamento.

Os primeiros carros deveriam ser entregues em agosto de 2018, segundo as previsões do próprio empresário. Mas, até agora, nada.

O UOL Carros procurou todas as partes envolvidas para saber qual o fim do projeto da Fittipaldi Motors - que ainda conta com um site oficial sobre o EF7.

Da DTM, tivemos a seguinte resposta inicial do gerente de comunicação Steve Cooper: "não tenho certeza se posso descobrir muito, mas eu o informarei". Dias depois insistimos, e Cooper devolveu dizendo que "estamos lidando com uma série de outras questões críticas no momento, por isso não tenho uma resposta completa para você".

O gentil assessor da Pininfarina, Francesco Fiordelisi, lamentou não ter mais informações, dizendo que o estúdio apenas "foi contratado para desenhar e construir o protótipo apresentado em Genebra". E afirmou que Fittipaldi pagou pelo trabalho.

No site da Fittipaldi Motors, os dois telefones disponíveis não levam a contato algum. UOL Carros tentou falar com Emerson Fittipaldi pelo WhatsApp. A mensagem chegou, foi lida, mas a reportagem não obteve resposta até o momento.

Se o carro não existe de verdade, o jeito é contar com os videogames para ver um pouco do que poderia ter sido o projeto de Fittipaldi. O EF7 é um dos veículos disponíveis no jogo Gran Turismo, do Playstation 4 - único universo onde o supercarro é real.

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