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Como coronavírus tem afetado produção e lançamentos de novos carros

Rodrigo Paiva/Folhapress
Imagem: Rodrigo Paiva/Folhapress
do UOL

Do UOL, em São Paulo

20/03/2020 04h00

A escalada do novo coronavírus será lembrada em um futuro não muito distante como um tsunami sobre a indústria automotiva. Em menos de um mês, eventos foram cancelados ou tiveram que se adaptar, montadoras entraram em férias coletivas e a venda de carros, que parecia se recuperar após uma dura crise nos últimos anos, deve voltar a sofrer.

A primeira bordoada veio no fim de fevereiro com o cancelamento do Salão de Genebra. A ordem veio do governo suíço, que proibiu aglomerações com mais de 1.000 pessoas. Quem comprou ingressos teve o dinheiro devolvido.

Montadoras e organizadores, contudo, amargaram prejuízos milionários. Estreias mundiais acabaram reveladas por plataformas digitais - sem a magia do gelo seco e as entradas triunfais. Na sequência viria o de Nova York, que teve mais sorte ao ser adiado para agosto.

Um dos principais eventos do mundo cancelado revelou a crise que se desenrolaria. Com o avanço do coronavírus em toda a Europa, em especial na Itália, e nos Estados Unidos, as montadoras não tiveram escolha senão fechar suas portas para proteger os funcionários - desde gigantes como GM e Ford até marcas de luxo como Ferrari, Porsche e Lamborghini.

Na China, onde tudo começou, a paralisação em boa parte das atividades e a reclusão das pessoas em suas casas teve impacto direto no mercado automobilístico. Em fevereiro, a venda de carros caiu 80%. A mesma queda registrou a Nissan neste que é seu maior mercado.

No Brasil, a primeira montadora a se manifestar foi a Mercedes, que anunciou férias coletivas de 30 março a 19 de abril. A empresa tem unidades em São Bernardo do Campo, Campinas, Iracemápolis (em SP) e Juiz de Fora (MG).

A General Motors também vai colocar todos seus funcionários de produção (a marca tem fábricas em São José dos Campos, São Caetano do Sul, Mogi das Cruzes, Gravataí e Joinville) em férias coletivas, entre os dias 30 de março e 12 de abril.

Já a Ford anunciou na última quinta-feira (19) que vai paralisar, a partir da próxima segunda-feira, atividades fabris em suas plantas da América do Sul: Camaçari (BA), Taubaté (SP), Horizonte (CE) e General Pacheco, na Argentina.

Tudo parece ser apenas a ponta de um iceberg que não tem prazo para passar. A expectativa é que, nos próximos dias, todas as montadoras do país paralisem suas atividades enquanto durar a pandemia.

E não são apenas as atividades fabris que têm sido afetadas. Lançamentos importantes foram adiados ou se adaptaram diante do coronavírus. A Chevrolet optou por uma apresentação online do SUV compacto Tracker, sua principal aposta para 2020. BMW, Volvo e Mercedes optaram por cancelar eventos.

Diante deste cenário caótico, algumas marcas se propuseram a entrar no combate ao coronavírus. Nos Estados Unidos, GM, Ford e Tesla admitiram a possibilidade de fabricarem ventiladores mecânicos para abastecerem as UTIs dos hospitais - apesar da iniciativa ter poucas chances de prosperar.

Enquanto no mundo todo grande parte da população se protege em suas casas esperando o furacão passar, a indústria automotiva vive em compasso de espera para ver qual será o impacto do coronavírus. Mas já sabe que o resultado deve trazer dificuldades para o setor nos próximos meses.

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