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Para militares, Bolsonaro pediu apoio, não convocou ato contra Poderes

do UOL

Carla Araújo

Colaboração para o UOL, em Brasília

26/02/2020 14h08

O vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro em apoio a manifestações convocadas para o dia 15 de março está sendo visto como natural por boa parte dos militares que compõe o governo. A mensagem, dizem fontes ouvidas pela reportagem, é que o presidente teria apenas pedido apoio ao seu governo e não convocado atos contra os outros Poderes.

"Manifestação é constitucional, desde que ordeira, sem violência ou destruição do patrimônio público ou privado. Ninguém no governo falou que a manifestação é contra o Congresso e, muito menos, contra o STF", disse uma fonte palaciana.

A ordem no Palácio e no Exército é tentar evitar mais polêmica com o assunto, já que as repercussões sobre o caso podem ter um agravamento de crise institucional. Hoje cedo, o presidente usou o Twitter para defender o envio do vídeo pelo whatshapp e disse que a mensagem é de "cunho pessoal".

Há pouco, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, também foi as redes para esclarecer que estariam usando seu nome indevidamente para pedir apoio financeiro para os protestos.

Heleno, que na semana passada afirmou em conversa com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (secretaria de Governo) que o congresso chantageava o governo, não comentou diretamente sobre o vídeo compartilhado pelo presidente.

O discurso entre militares que apoiam o presidente é de que quem defende o governo não está necessariamente contra "o Congresso, o STF ou qualquer outra instituição da República". "Nós estamos contra os corruptos do Congresso, seus apoiadores no STF e na imprensa e o aparelhamento esquerdista das outras instituições", disse um militar sob condição de anonimato.

Há entre os militares quem reconheça que a atitude do presidente é "impulsiva" e "típica do seu comportamento", mas tentam minimizar o desgaste e também evitar que as Forças Armadas sejam associadas ao episódio de forma equivocada.

Um dos poucos ministros que já fez uma declaração pública sobre o tema foi Ramos, que inclusive passou o feriado de Carnaval ao lado do presidente no Guarujá. Para o ministro, Bolsonaro ficou emocionado com algumas cenas e compartilhou com alguns amigos, de forma reservada.

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