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Ghosn contrata agente de Hollywood para projetos de cinema e TV

Carlos Ghosn durante entrevista no Líbano - Joseph Eid/AFP
Carlos Ghosn durante entrevista no Líbano Imagem: Joseph Eid/AFP

Lucas Shaw e Ania Nussbaum

10/02/2020 16h52

Produtores de Hollywood ansiosos para dramatizar a vida de Carlos Ghosn, o ex-presidente do conselho da Nissan que orquestrou uma fuga cinematográfica do Japão em dezembro, provavelmente receberão uma resposta simples: ligue para meu agente.

Não é qualquer agente. Ghosn contratou Michael Ovitz, o fundador da Creative Artists Agency e ex-presidente da Walt Disney, para explorar projetos de cinema e TV. Uma porta-voz de Ghosn disse que Ovitz ajudaria em projetos e na avaliação de propostas recebidas, mas destacou que qualquer discussão ainda é preliminar.

Um acordo com um estúdio poderia trazer ganhos financeiros significativos para Ghosn, que havia pagado US$ 14 milhões de fiança quando fugiu do Japão no fim de dezembro, um feito que, segundo um especialista em segurança, poderia ter custado outros US$ 15 milhões ao executivo.

A história de Ghosn - que envolve alegações de um golpe corporativo de alto nível e conluio com o governo, seguida por uma fuga dramática planejada por um ex-Boina Verde - pode render um filme ou minissérie com elementos picantes quando empresas como Netflix e Amazon.com estão famintas por novos conteúdos.

Poucas pessoas em Hollywood estão mais familiarizadas com esse tipo de acordo do que Ovitz, que tem sido um dos negociadores de maior destaque da indústria do entretenimento desde a década de 1980.

Ovitz não respondeu imediatamente às mensagens em busca de comentários fora do horário comercial dos EUA.

Em 1995, Ovitz passou para o outro lado, juntando-se à Disney como o segundo no comando do então presidente do conselho Michael Eisner - um relacionamento que logo azedou, levando Ovitz a deixar a empresa depois de pouco mais de um ano. Ele recebeu US$ 140 milhões em indenizações, o que levou um grupo de investidores a processar o conselho da Disney, alegando que a empresa havia desperdiçado dinheiro com sua contratação.

Ghosn, o executivo brasileiro-francês-libanês do setor automotivo que passou grande parte do final de 2018 e do início de 2019 em uma solitária em Tóquio, enfrentava quatro acusações criminais no Japão, que juntas poderiam resultar em uma sentença de mais de 10 anos. Dois processos se referem a alegações de que Ghosn teria subestimado seu salário nos registros oficiais, enquanto outras duas acusações por "quebra de confiança" alegaram que ele desviou recursos da Nissan para seu próprio benefício.

Ghosn era um nome conhecido no Japão antes mesmo de ser preso, depois de transformar a Nissan quase duas décadas atrás. Ghosn se tornou celebridade corporativa no país, inspirando inúmeros livros de negócios e até um mangá sobre seu estilo de gestão e tempo na montadora.

O executivo, que chegou ao Líbano em um jato particular, nega as irregularidades, argumentando que as acusações fazem parte de uma conspiração de executivos da Nissan e autoridades do governo japonês para suspender seus planos de uma maior integração da empresa com a Renault, sua maior acionista.

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