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Secretário garante que Bento XVI não aprovou publicação de polêmico livro

14/01/2020 12h06

Cidade do Vaticano, 14 jan (EFE).- O secretário histórico de Bento XVI e pessoa de maior confiança desde sua renúncia, o arcebispo George Gaenswein, afirmou que o papa emérito "nunca aprovou nenhum projeto de livro com dupla assinatura" com o cardeal Robert Sarah, como reiterou nesta terça-feira em um comunicado oficial.

Gaenswein, em uma declaração confirmada à Agência Efe, explicou que "o papa emérito sabia que o cardeal estava preparando um livro e lhe enviara seu texto sobre o sacerdócio, autorizando-o a fazer o uso que quisesse", mas que "ele não havia aprovado nenhum livro com assinatura dupla e nem tinha visto a capa".

Essas declarações confrontam as informações do cardeal Robert Sarah, prefeito cardeal da Congregação para o Culto Divino, que hoje publicou um comunicado oficial onde descreveu com dados e datas que o papa emérito conhecia a existência do livro, conteúdo e data da publicação.

A bomba caiu no Vaticano no último domingo, quando foi anunciado um novo livro assinado por Bento XVI e Sarah, um dos principais líderes da facção conservadora que critica todos os movimentos de Francisco, defendendo o celibato diante da decisão que terá que ser tomada pelo papa argentino sobre a proposta de ordenar homens casados do Sínodo da Amazônia.

O volume, publicado em francês por Fayard e intitulado "Das profundezas de nossos corações" (Des profondeurs de nos coeurs), chegará às livrarias amanhã, enquanto o Papa encerra sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazônia, que para muitos é um movimento de pressão sobre Francisco.

Para o arcebispo Gaenswein, atual prefeito da Casa Pontifícia, "foi um mal-entendido sem questionar a boa fé do cardeal Sarah" e "o texto que Bento enviou ao cardeal é dele, mas não (ele é o autor) dos outros textos", que são a introdução e as conclusões.

Da mesma forma, Gaenswein, que continua morando com Bento XVI na residência Mater Ecclesiae no Vaticano, acrescentou que, por sugestão do próprio para emérito, o cardeal Sarah foi convidado a entrar em contato com os editores para remover seu nome como coautor do livro e sua assinatura também da introdução e conclusões.

Antes da negativa do secretário pessoal de Bento XVI, o cardeal guineense recuou e anunciou no Twitter que "considerando as controvérsias que causaram a publicação do livro, foi decidido que o autor será o cardeal Sarah com a contribuição de Bento XVI" e acrescentou que "o restante dos textos permanecerá o mesmo".

Ontem à noite, fontes próximas a Bento XVI vazaram para alguns meios de comunicação que o papa emérito não havia aprovado a publicação do livro escrito em conjunto com o cardeal Robert Sarah, no qual ele defendia o celibato.

Para alguns, foi uma tentativa de manipular um frágil Bento XVI, que completará 93 anos em abril, através da área mais conservadora da Igreja e enfrentando Francisco. EFE

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