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Grindr compartilha localização e orientação sexual, diz estudo

Sarah Syed, Natalia Drozdiak e Nate Lanxon

14/01/2020 14h43

(Bloomberg) -- O Grindr está compartilhando dados pessoais detalhados com milhares de parceiros de publicidade, permitindo que recebam informações sobre localização, idade, sexo e orientação sexual dos usuários, segundo uma organização de consumidores norueguesa.

O serviço - descrito como o maior aplicativo de rede social do mundo para homossexuais, bissexuais, transexuais e queer - forneceu dados de usuários a terceiros que trabalham com publicidade e criação de perfis, segundo relatório do Conselho Norueguês do Consumidor, divulgado na terça-feira. A subsidiária de publicidade MoPub, do Twitter, foi usada como mediadora para o compartilhamento de dados e transmitiu dados pessoais a terceiros, segundo o relatório.

"Toda vez que você abre um aplicativo como o Grindr, as redes de publicidade obtêm sua localização GPS, identificadores do dispositivo e até o fato de você usar um aplicativo de paquera gay", disse o ativista austríaco Max Schrems. "Esta é uma violação insana dos direitos de privacidade dos usuários da UE."

O grupo de consumidores e a organização de privacidade de Schrems apresentaram três queixas contra a Grindr e cinco empresas de tecnologia de publicidde, as chamadas adtechs, à Autoridade de Proteção de Dados da Noruega pela violação dos regulamentos europeus de proteção de dados. O Noyb, grupo de Schrems, apresentará uma queixa semelhante à agência de proteção de dados austríaca nas próximas semanas, segundo o comunicado.

Os populares aplicativos de paquera OkCupid e Tinder, do Match Group, compartilham dados entre si e com outras marcas pertencentes à empresa, segundo a pesquisa. O OkCupid forneceu informações relacionadas à sexualidade dos clientes, uso de drogas e opiniões políticas à empresa de análise Braze, segundo a organização.

Uma porta-voz do Match Group disse que o OkCupid usa a Braze para gerenciar comunicações com usuários, mas que apenas compartilha "informações específicas consideradas necessárias" e "de acordo com as leis aplicáveis, incluindo o GDPR e CCPA", em referência às siglas em inglês do Regulamento Geral de Proteção de Dados e da Lei de Privacidade do Consumidor da Califórnia, respectivamente.

A Braze também disse que não vende dados pessoais, nem os compartilha entre clientes. "Divulgamos como usamos os dados e fornecemos aos nossos clientes ferramentas nativas de nossos serviços que permitem a total conformidade com os direitos GDPR e CCPA dos indivíduos", disse um porta-voz da Braze.

Os representantes da Grindr não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

O Twitter está investigando a questão para "entender a suficiência do mecanismo de consentimento da Grindr" e desativou a conta MoPub da empresa, disse um representante.

O grupo de consumidores europeu BEUC pediu aos reguladores que investiguem "imediatamente" as empresas de publicidade on-line sobre possíveis violações das regras de proteção de dados do bloco na esteira do relatório norueguês. Uma queixa exigindo medidas também foi enviada por escrito à vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager.

"O relatório fornece evidências convincentes sobre como as chamadas empresas de tecnologia de publicidade coletam grandes quantidades de dados de pessoas que usam dispositivos móveis, usados por empresas de publicidade e profissionais de marketing para selecionar consumidores", disse o BEUC em comunicado por e-mail. Isso acontece "sem uma base legal válida e sem que os consumidores saibam".

--Com a colaboração de Stephanie Bodoni.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Sarah Syed em Londres, ssyed35@bloomberg.net;Natalia Drozdiak Brussels, ndrozdiak1@bloomberg.net;Nate Lanxon London, nlanxon@bloomberg.net

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