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Erdogan acusa Hafter de limpeza étnica e ameaça "dar a lição que ele merece"

14/01/2020 18h49

Ancara, 14 jan (EFE).- O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou nesta terça-feira o general rebelde líbio Khalifa Hafter de querer realizar uma limpeza étnica e advertiu que, se os ataques continuarem, a Turquia não hesitará em "dar a lição que ele merece".

"Há irmãos árabes que não estão com Hafter, e Hafter quer eliminá-los. Hafter busca a limpeza étnica", denunciou o mandatário islâmico turco, que disse que o general líbio mostrou "sua verdadeira face" ao deixar as negociações de paz realizadas ontem em Moscou sem assinar o acordo de cessar-fogo permanente.

Durante uma reunião do governante Partido da Justiça e Desenvolvimento, Erdogan afirmou que na Líbia vivem um milhão de líbios de ascendência turca da época em que o país pertencia ao Império Otomano (até 1912), e que Hafter também pretende eliminá-los.

"Não podemos virar as costas aos nossos irmãos líbios que querem a nossa ajuda. Se Hafter continuar com os seus ataques, não recuaremos em dar a lição que ele merece", disse o presidente, que ressaltou que a Turquia se manterá presente no país até "dar liberdade aos líbios".

A Turquia enviou um pequeno número de assessores militares em apoio ao governo reconhecido pela ONU em Trípoli, em oposição às forças de Hafter, que controlam uma grande parte do país e do petróleo. Segundo vários jornais turcos, Ancara também recrutou combatentes de várias milícias sírias para levá-los à Líbia.

Erdogan, que já descreveu o general várias vezes como "golpista", declarou que Hafter que mostrou sua "verdadeira face" ao sair da rodada de negociações de ontem sem ter assinado o cessar-fogo permanente com Fayez al Serraj, líder do governo reconhecido pela ONU.

Esta negociação foi promovida pela Turquia e pela Rússia, que apoia Hafter, após os dois países terem proposto na semana passada um cessar-fogo que está em vigor, embora fragilmente, desde o dia 12.

Erdogan afirmou que a conferência internacional patrocinada pela ONU para encontrar uma saída para a guerra civil na Líbia será realizada em Berlim no dia 19 de janeiro. EFE

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