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Sedãs médios são raros hoje, mas opções eram muitas em 2010; relembre

Corolla e Civic já lideravam vendas em 2010, mas Vectra era principal desafiante - Divulgação
Corolla e Civic já lideravam vendas em 2010, mas Vectra era principal desafiante
Imagem: Divulgação
do UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Liderança já era do Corolla e Civic vinha na cola, mas concorrência era mais acirrada
  • 11 modelos brigavam com a dupla japonesa pelo topo do segmento
  • Chevrolet Vectra era 3º colocado e Kia Cerato vivia melhor fase no país

O Mitsubishi Lancer é a baixa mais recente em um segmento que cada vez mais perde espaço para os SUVs. Os sedãs médios ainda representam uma parcela importante do mercado brasileiro, mas já viveram dias bem melhores no passado.

Prova disso é que o cenário era completamente diferente uma década atrás. É verdade que Toyota Corolla e Honda Civic já dominavam o segmento em 2010, mas a briga era muito mais acirrada - e com mais competidores.

Faziam parte do mesmo segmento os seguintes modelos: Chevrolet Vectra, Kia Cerato, Fiat Linea, Citroën C4 Pallas, Ford Focus Sedan, Nissan Sentra, Chevrolet Astra Sedan, Volkswagen Jetta, Renault Mégane Sedan, Peugeot 307 Sedan e Volkswagen Bora. Deste grupo, apenas Cerato, Jetta e Sentra permanecem na briga até hoje - obviamente em gerações mais atuais.

Como era a briga

Corolla e Civic já monopolizavam o segmento. Enquanto o sedã da Toyota fechou o ano de 2010 com 54.987 emplacamentos, o Civic vendeu 30.930 carros.

Na época, o Chevrolet Vectra era o principal desafiante. A terceira geração do sedã estreou nas ruas brasileiras em 2005, mas nunca repetiu o sucesso de seu antecessor - o famoso Vectra B. Parte desse fato aconteceu porque a Chevrolet decidiu lançar um Vectra brasileiro em vez de trazer o projeto da Opel lançado na Europa em 2001.

Versão Elite era a mais luxuosa da gama - Divulgação
Versão Elite era a mais luxuosa da gama
Imagem: Divulgação

Assim nasceu um sedã com carroceria parecida com a do Opel Astra (que era um hatch) vendido no Velho Continente, mas com o terceiro volume. Já a plataforma veio da Zafira e as versões mais caras tinham o 2.4 16V Flexpower de 150 cv, associado à transmissão automática de quatro marchas.

Em 2010, o carro havia acabado de ganhar um discreto facelift, que trouxe uma grade frontal mais larga dividida em duas partes por uma barra horizontal. Mesmo vendendo relativamente bem, o carro não conseguiu ameaçar a liderança de Corolla e Civic e fechou o ano com 19.976 emplacamentos.

Bem diferente de hoje, o Kia Cerato estava em sua melhor fase no país. A segunda geração foi lançada no Brasil em 2009 e vendeu como nunca: as 14.208 unidades emplacadas em 2010 levaram o modelo coreano ao quarto lugar no ranking de vendas da categoria. O design de linhas esportivas era seu principal chamariz, até porque o desempenho do motor 1.6 16V de 128 cv estava longe de empolgar.

Kia Cerato tinha design como principal chamariz - Divulgação
Kia Cerato tinha design como principal chamariz
Imagem: Divulgação

Fiat Linea e Citroën C4 Pallas estavam longe do topo, mas não vendiam mal em 2010. O sedã derivado do Punto já tinha quase dois anos de estrada, mas nunca conseguiu ameaçar os líderes. Menor e menos sofisticado do que a maioria dos concorrentes, o Linea emplacou 12.076 unidades em 2010 e logo foi "rebaixado" para o andar de baixo, onde brigou com modelos como Honda City e Ford New Fiesta Sedan.

O Pallas era bem maior do que a concorrência (tinha 4,77 metros de comprimento) e um enorme porta-malas de 580 litros, dois importantes diferenciais. Ainda tinha um interior bem estiloso, com volante de cubo fixo e painel digital no centro da cabine, e itens como ar-condicionado digital e faróis de xenonio direcionais - este último vendido como opcional. Não dá para chamá-lo de fracasso, mas também não se aproximou dos líderes com os 11.944 emplacamentos.

Vendas tímidas

O "segundo pelotão" era formado por nomes competentes. Porém, nem a estreia da tecnologia bicombustível no motor 2.0 fez o Ford Focus Sedan decolar. O sedã nunca vendeu bem desde a primeira geração, mesmo tentando se apoiar na boa reputação da Ford em sedãs.

Estilo conservador do Focus Sedan não cativou muitos clientes - Divulgação
Estilo conservador do Focus Sedan não cativou muitos clientes
Imagem: Divulgação

Além do preço (que era mais caro do que o Vectra), o carro não tinha um design de encher os olhos, e por isso não atraía tantos clientes. Fechou o ano com 8.475 emplacamentos.

Outro caso de bom produto que nunca vingou era o Nissan Sentra. Em 2010, o modelo tinha acabado de receber uma leve reestilização. Mesmo assim, o carro ainda manteve o estilo mais conservador da geração que ironicamente ficou conhecida como "tiozão" por conta de uma campanha publicitária. O motor 2.0 16V entregava 143 cv, mas o câmbio CVT não inspirava muita emoção ao volante. Vendeu apenas 5.943 unidades naquele ano.

Veterano Astra Sedan ainda tinha parcela fiel de consumidores em 2010 - Divulgação
Veterano Astra Sedan ainda tinha parcela fiel de consumidores em 2010
Imagem: Divulgação

O veterano Chevrolet Astra Sedan já era figurinha carimbada nas ruas, mas ainda tinha boas características para fisgar clientes. O projeto bem acertado de origem Opel já sentia o peso da idade, mas a boa relação custo-benefício seduzia quem procurava um sedã médio mais barato. O modelo sairia de linha dois anos depois para dar lugar ao controverso Cobalt. Em 2010, o carro teve 4.584 emplacamentos.

Quem se despediu naquele ano foi o Renault Mégane Sedan, Podemos dizer que o sedã teve azar ao chegar no Brasil justamente quando a Honda lançou a oitava geração do Civic (uma das mais belas e bem sucedidas da história do carro) e a Toyota estava prestes a mostrar uma nova geração do Corolla. Resultado: o Mégane nunca vendeu bem (foram 3.085 emplacamentos em seu ano derradeiro de vida) e acabou substituído pelo Fluence.

O Peugeot 307 Sedan amargava as últimas posições da tabela. Embora tivesse um bom nível de equipamentos, o design pouco inspirado da traseira fazia com que muitos clientes procurassem outras opções no segmento. Apenas 2.536 unidades foram emplacadas no ano.

VW Jetta estava perto de ganhar nova geração em 2010 - Divulgação
VW Jetta estava perto de ganhar nova geração em 2010
Imagem: Divulgação

Já o Volkswagen Jetta estava vivendo os últimos meses da quinta geração, justamente a primeira vendida no Brasil com este nome. Esse foi um dos motivos para as vendas fracas em 2010, quando emplacou 2.176 exemplares. Um modelo inteiramente novo chegou às concessionárias em março do ano seguinte.

O ranking dos sedãs médios era fechado pelo veterano Volkswagen Bora, que já tinha uma década de vida no Brasil e vendeu 2.176 carros em 2010. Como se vê, a disputa pela liderança podia nem ser tão acirrada assim, mas opções não faltavam para quem queria comprar um sedã médio dez anos atrás. Bem diferente do cenário que vemos hoje no mesmo segmento - e parecido com o que acontece nos SUVs.

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