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FMI diz que discussão com Argentina sobre dívida é 'muito preliminar'

12/12/2019 20h14

Washington, 12 dez 2019 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou nesta quinta-feira que as conversações com a Argentina sobre a dívida do país estão em um nível "muito preliminar", e destacou a necessidade de se "escutar" e "respeitar" as prioridades do novo governo.

"É importante não nos precipitarmos. Ainda estamos em uma etapa muito preliminar, o governo acaba de tomar posse", disse em entrevista coletiva o porta-voz do FMI Gerry Rice.

"O importante é escutar as autoridades argentinas sobre suas prioridades e seus planos. Acredito que devemos respeitar quais serão suas áreas de destaque", declarou a porta-voz, acrescentando que o FMI compartilha os objetivos das autoridades de aplicar "políticas que reduzam a pobreza e fomentem o crescimento sustentável".

Na quarta-feira, um dia após tomar posse, o governo do presidente Alberto Fernández anunciou o início de "conversações" com o FMI para renegociar a dívida sem a aplicação de maiores medidas de ajuste fiscal enquanto reativa sua economia, em recessão desde 2018.

"Já mantivemos conversações com o FMI e reconheceram o fracasso (do programa acertado com a Argentina no ano passado). O que falta é reconhecer a necessidade de um programa distinto", declarou o novo ministro da Fazenda, Martín Guzmán.

Interrogado sobre a possibilidade de mudar o programa, Rice assinalou que, no momento, o acordo permanece vigente nos termos negociados.

"O status do programa se mantém. A forma como poderá ser adaptado ou alterado no futuro dependerá das discussões com o governo argentino, seus objetivos e seus desejos".

Rice destacou que corresponde aos países adotar decisões sobre a dívida consultando seus assessores legais e financeiros.

"Nossa função é avaliar se a dívida é sustentável com alta probabilidade. Não chegamos a esta etapa porque estamos apenas no início das discussões".

"Estamos em um período (...) de esperar para ver quais são os planos e os objetivos do novo governo para depois decidirmos os próximos passos e se isto implicará em modificações do programa e outros ajustes".

A Argentina firmou no ano passado, sob o governo do liberal Mauricio Macri, um acordo de 57 bilhões de dólares com o FMI, que prevê déficit fiscal zero para este ano e superávit para 2020.

Até o momento, o país recebeu cerca de 44 bilhões de dólares em créditos, mas Fernández não deseja receber a parcela restante.

No total, a dívida argentina atinge 315 bilhões de dólares e se aproxima de 100% do PIB.

DT-ad/lr

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