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América Latina desperdiça oportunidades comerciais com a Ásia, diz BID

09/12/2019 18h51

Panamá, 9 dez 2019 (AFP) - As exportações da América Latina e do Caribe para a Ásia podem crescer até 27% no médio prazo se os custos associados a tarifas, transporte e logística forem reduzidos, de acordo com um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado nesta segunda-feira (9).

"A redução nos custos do comércio bilateral criaria oportunidades de negócios equivalentes a cerca de 69 bilhões de dólares e contribuiria para a melhoria do bem-estar da população", diz o BID em seu estudo "Como liberar o potencial comercial da América Latina e do Caribe em Ásia".

Além disso, com custos mais baixos, as exportações latino-americanas para a Ásia poderiam crescer 27,6% no médio prazo, e as vendas asiáticas aumentariam 40,6%.

"Uma região que está se recuperando de uma recessão severa não pode perder esse impulso em suas receitas", alerta o relatório.

O documento foi apresentado no Panamá durante um fórum de negócios no qual participam mais de mil pessoas de cerca de 850 empresas da China e da América Latina.

"Mais e melhores investimentos beneficiam a China, a América Latina e o Caribe. Precisamos abrir as portas para ter oportunidades que nos levem ao crescimento com inclusão", afirmou Verónica Zavala, gerente do BID para América Central, México, República Dominicana e Haiti .

"A China já é o segundo maior parceiro comercial" da América Latina e as transações se aprofundam continuamente, disse Lu Pengqi, vice-presidente do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional.

- Custos altíssimos -Em quase duas décadas, a participação comercial da Ásia na América Latina triplicou, de 9% em 2000 para 26% em 2018, quando a movimentação bilateral totalizou 581 bilhões de dólares, segundo o BID.

Para países como Brasil, Chile ou Peru, a participação das exportações para a Ásia dobra a média regional. O comércio de certas commodities, como cobre, minério de ferro ou soja, cresceu, e a importância dos mercados asiáticos ofuscou a de qualquer outro destino do planeta, segundo o relatório.

Simultaneamente, a Ásia se tornou o principal fornecedor de mercadorias importadas pela região. Sua participação passou de 12% para 31%, principalmente em produtos eletrônicos, automóveis e uma ampla gama de produtos intermediários para a indústria.

A maior parte dessa expansão se deve à China, cujas importações da América Latina e do Caribe aumentaram uma média anual de 20,4% entre 2000 e 2018, em comparação aos 5,3% do resto do mundo.

Mas esse intercâmbio pode ser maior, de acordo com o BID, devido à demanda asiática por alimentos gerada pelo crescimento da classe média na região, que reunirá 3,5 bilhões de pessoas antes de 2030.

No entanto, "os custos comerciais entre as duas regiões estão entre os mais altos do mundo" e esses custos "não são determinados apenas pela distância, mas também por políticas comerciais restritivas e pouca conectividade logística", aponta o relatório.

Segundo o documento, existe "uma infinidade de barreiras não tarifárias que continuam restringindo o comércio e impedindo a diversificação em segmentos de mercado com margens mais altas".

- "Prioridade fundamental" -Para um maior fluxo comercial, o BID recomenda maximizar os 26 acordos comerciais vigentes entre as duas regiões, assinar novos tratados, reduzir as taxas e melhorar a infraestrutura física.

As exportações da região pagam uma média de quase 10% de tarifas para entrar na Ásia, enquanto os embarques asiáticos enfrentam taxas em torno de 7% na América Latina.

O BID considera uma "prioridade fundamental" eliminar essas barreiras comerciais para que os produtos latino-americanos não sejam prejudicados em comparação a seus concorrentes nos mercados asiáticos.

"Nossos empresários estão mais do que prontos e capazes para encontrar novos mercados na Ásia para seus produtos", disse Fabrizio Opertti, gerente do Setor de Integração e Comércio do BID.

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