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Musk, da Tesla, pode ir a júri popular por chamar explorador de pedófilo

Chefão da Tesla desvia o rosto das câmeras ao chegar a tribunal em Los Angeles; bilionário é acusado de difamação - David McNew/Reuters
Chefão da Tesla desvia o rosto das câmeras ao chegar a tribunal em Los Angeles; bilionário é acusado de difamação
Imagem: David McNew/Reuters

Nichola Groom e Rachel Parsons*

Em Los Angeles (EUA)

05/12/2019 12h55

O julgamento por difamação de Elon Musk pode ficar nas mãos do júri. O bilionário e seu acusador, um explorador de cavernas e socorrista, discutiram na corte sobre o significado e o impacto de um tuíte no qual o chefão da Tesla vinculou o homem que o está processando à palavra "pedófilo".

O explorador de cavernas britânico Vernon Unsworth, que ajudou a coordenar o resgate no ano passado de 12 meninos e seu treinador de futebol de uma caverna inundada na Tailândia, testemunhou ontem em um tribunal federal de Los Angeles (EUA). Unsworth disse que se sentiu "marcado como pedófilo", apesar da afirmação de Musk de que sua postagem não deveria ser considerada literalmente.

A aparição de Unsworth aconteceu horas depois de Musk, presidente-executivo da Tesla e fundador da empresa foguetes SpaceX, ter concluído dois dias de depoimentos, buscando minimizar seus tuítes como comentários de improviso.

Mas Unsworth, com a voz embargada pela emoção, disse ao juiz que os comentários de Musk sobre ele no Twitter o deixaram sentindo-se "humilhado, envergonhado, sujo".

"Efetivamente, desde o primeiro dia, recebi uma sentença de prisão perpétua sem liberdade condicional. Dói falar sobre isso", disse Unsworth, que está buscando indenizações não especificadas em seu processo contra Musk.

Unsworth e Musk não devem voltar a testemunhar hoje, quando são aguardados testemunhos em vídeo da ex-mulher de Unsworth, de quem ele está separado, e de um especialista em internet sobre o impacto dos tuítes de Musk.

Unsworth, 64 anos, segundo o qual começou explorar cavernas com hobby em 1971, divide seu tempo entre a Grã-Bretanha e a Tailândia, onde tem uma namorada tailandesa.

Briga nas redes sociais

Elon Musk Tesla julgamento los angeles acusou socorrista mergulhador de pedófilo resgate meninos tailândia - Mona Shafer Edwards/Reuters - Mona Shafer Edwards/Reuters
Desenho de Musk enquanto ele testemunhava na corte; empresário diz que não considera o acusador "pedófilo"
Imagem: Mona Shafer Edwards/Reuters

A briga começou após Unsworth ajudar a coordenar o resgate dos meninos na Tailândia. Na época, o mergulhador zombou da oferta de Musk de disponibilizar um mini submarino para retirar os jovens da caverna como um "truque de relações públicas". Na ocasião, também disse que Musk poderia "enfiar seu submarino onde dói".

Musk, 48 anos, chegou a viajar para o local de resgate para entregar o submarino, que nunca foi usado, disse na corte que recorreu ao Twitter para atacar Unsworth, depois de ler a entrevista.

Musk disse que o termo "pedófilo" era um apelido comum na África do Sul, onde ele cresceu e insistiu no tribunal que não acreditava que Unsworth fosse pedófilo.

Musk encerrou sua aparição de dois dias ao reconhecer, sob questionamento, que seu patrimônio líquido, principalmente de participações em ações da SpaceX e Tesla, era de cerca de US$ 20 bilhões.

"As pessoas pensam que tenho muito dinheiro. Na verdade, não", ele disse.

Para vencer o processo, Unsworth precisa mostrar que Musk foi negligente ao publicar uma falsidade que o identificou claramente como pedófilo e lhe causou danos.

Embora o caso não envolva a Tesla, os hábitos de Musk no Twitter estão sob rigoroso escrutínio, com investidores e reguladores da empresa expressando preocupação com seus tuítes.

Com 29,9 milhões de seguidores, a conta de mídia social de Musk é uma importante fonte de publicidade para a Tesla, sediada em Palo Alto, Califórnia, que não faz anúncios publicitários.

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*Reportagem adicional de Jonathan Stempel, em Nova York (EUA)

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