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Trump ataca aliados europeus antes de cúpula da Otan

03/12/2019 09h11

Por Robin Emmott e Phil Stewart

LONDRES (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente os aliados europeus antes de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Londres nesta terça-feira, destacando o líder francês, Emmanuel Macron, por comentários negativos a respeito da aliança e o déficit da Alemanha com os compromissos de financiamento.

Sublinhando o tamanho da desavença no bloco transatlântico, louvado por seus apoiadores como a aliança militar mais bem-sucedida da história, Trump exigiu que a Europa pague mais pela defesa e que também faça concessões a interesses comerciais dos EUA.

O ataque ecoou uma série similar de ofensas de Trump antes da cúpula da Otan de 2018, e aumentará as dúvidas crescentes sobre o futuro do bloco, que Macron disse sofrer de "morte cerebral" na véspera da reunião londrina -- concebida como uma comemoração de seu 70º aniversário.

"É uma declaração dura, quando você faz uma declaração dessas, isso é uma declaração muito, muito sórdida para essencialmente 28, incluindo-os, 28 países", disse Trump a repórteres ao se encontrar com o chefe da Otan em Londres.

Ligando explicitamente sua queixa de que a Europa não paga o suficiente pelas missões de segurança da Otan à sua defesa firme dos interesses comerciais dos EUA, parte de sua política "América Primeiro", Trump disse que é hora de o continente "tomar jeito" nas duas frentes.

"Não é certo ser abusado na Otan e também ser abusado no comércio, e é isso o que acontece. Não podemos deixar isso acontecer", disse ele a respeito das disputas transatlânticas, que vão do setor aeroespacial a um imposto de serviços digitais europeu sobre gigantes de tecnologia norte-americanas.

Minimizando os sinais recentes de que a Alemanha está disposta a fazer mais para cumprir a meta da Otan de gastar 2% do produto interno bruto (PIB) com a defesa, Trump acusou Berlim e outras capitais que investem menos do que a meta de serem "delinquentes".

O ataque de Trump veio poucas horas depois do surgimento de divisões entre outros membros da entidade -- a Turquia prometeu se opor a um plano da Otan para defender países bálticos a menos que esta a apoie reconhecendo a milícia curda YPG como um grupo terrorista.

Os combatentes da YPG são aliados de longa data dos EUA na luta contra o Estado Islâmico na Síria. Ancara a considera uma inimiga devido aos seus laços com insurgentes curdos no sudeste turco.

A rainha Elizabeth receberá os líderes no Palácio de Buckingham, mas mesmo os anfitriões britânicos, que há gerações estão entre os defensores mais entusiasmados da Otan, estão desunidos a respeito de seu projeto de saída da UE e distraídos com uma eleição agressiva que acontecerá na semana que vem.

(Por Robin Emmott, em Londres; Ali Kucukgocmen, em Istambul; e Joanna Plucinska, em Varsóvia)

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