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PM preso no PI diz que tem saudade de matar: "nunca mais matei ninguém"

Wanderley Rodrigues da Silva - Reprodução
Wanderley Rodrigues da Silva Imagem: Reprodução
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

03/12/2019 10h05

Dez policiais e dois ex-policiais foram presos ontem em uma grande operação que desmontou uma organização criminosa que atuava no estado do Piauí em roubos, assaltos de cargas de cigarro, espancamentos e homicídios. Ao todo, 16 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão foram expedidos pela Justiça. Três pessoas ainda são buscadas.

Em áudio divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí, um dos policiais detidos chega a sugerir a morte de um jovem após ele ter sido chamado para dar umas "tabicadas". "Eu estou com saudades, nunca mais matei ninguém. Ô, tristeza. Vamos tirar um dia para nós rodar [sic]", diz o policial Wanderley Rodrigues da Silva, em diálogo interceptado na investigação.

Segundo o áudio, uma morte poderia custar R$ 20 mil. Além disso, eles combinavam outros crimes. A reportagem do UOL não conseguiu ouvir a defesa dos acusados.

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Fábio Abreu, diz que a investigação do grupo começou após o roubo, em Teresina, de uma loja de eletrônicos. "Após isso várias informações foram repassadas por meio de WhatsApp e fomos tendo informações para buscar esses policiais. Alguns deles faziam pistolagem em troca de dinheiro e se beneficiarem de serem policiais e tinham apoio de alguns de serviço".

Segundo o delegado geral do Piauí, Luccy Keiko, as investigações apontaram que os ex e atuais policiais vinham agindo de forma conjunta. "Eles atuavam de forma habitual principalmente com roubo. Os alvos principais eram traficantes. Eles adentraram na casa de traficantes, levavam drogas, dinheiro, armas e revendiam essa droga. Eles roubavam também muita carga de cigarro e praticavam também extorsões", disse.

Keiko ainda relatou que pelo menos dois presos já eram conhecidos da polícia por acusações de roubos (ambos eram policiais militares que foram expulsos por crimes). "Foi uma investigação complexa, com apoio da PM e do MP (Ministério Público). Um dos policiais que havia sido preso tinha ameaçado um delegado, mas isso não nos faz recuar", afirmou.

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