Topo

Líder de Hong Kong alerta que lei dos EUA abalará confiança do comércio

03/12/2019 11h10

Por Noah Sin e Clare Jim

HONG KONG (Reuters) - A líder de Hong Kong, Carrie Lam, disse nesta terça-feira que a legislação norte-americana em apoio aos manifestantes pode abalar a confiança do comércio no polo financeiro ao anunciar uma quarta rodada de medidas de alívio para fortalecer a economia fragilizada da cidade.

Lam disse aos repórteres que a Lei de Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong sancionada na semana passada foi "totalmente desnecessária" agora que a ex-colônia britânica, que enfrenta grandes protestos há cerca de seis meses, atravessa sua primeira recessão em uma década.

A lei exige que o Departamento de Estado dos Estados Unidos certifique ao menos anualmente que Hong Kong preserva autonomia suficiente para justificar termos comerciais favoráveis com Washington e ameaça sanções devido a violações de direitos humanos.

"Atualmente, o impacto é na confiança... porque as corporações se preocuparão com as ações que o governo dos EUA pode adotar no futuro depois de analisarem esta legislação", disse Lam.

Ela não especificou quais medidas adicionais serão tomadas para impulsionar a atividade econômica, dizendo que os detalhes serão anunciados no curto prazo. O governo já ofereceu uma ajuda de cerca de 2,7 bilhões de dólares para apoiar a economia, particularmente nos setores de transporte, turismo e varejo.

Os tumultos prejudicaram o comércio varejista, que atingiu a pior marca já registrada em outubro, já que os protestos afugentaram os turistas e afetaram os gastos.

Outra notícia ruim para a economia veio na segunda-feira, quando a China proibiu navios e aeronaves de militares norte-americanos de visitarem Hong Kong – uma parada de descanso e recreação para a Sétima Frota dos EUA – em retaliação pela legislação.

Lam disse que as aprovações de tais visitas portuárias cabem ao Ministério das Relações Exteriores da China.

Há seis meses Hong Kong vem sendo abalada por tumultos às vezes violentos, o maior desafio à estabilidade chinesa desde a repressão sangrenta a manifestantes pró-democracia no interior e nos arredores da Praça da Paz Celestial de Pequim em 1989.

Entre as exigências dos manifestantes estão o sufrágio universal, uma investigação sobre a suposta brutalidade policial e o fim dos aparentes esforços chineses para minar as liberdades democráticas prometidas quando a cidade foi devolvida à China em 1997.

Lam renovou seus apelos pela paz, mas sua gestão tem sido incapaz de oferecer qualquer concessão ao movimento de protesto, apesar do triunfo deste em uma eleição recente

(Por Anne Marie Roantree, Clare Jim, Noah Sin, James Pomfret, Greg Torode e Sharon Tam)

Notícias