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Apesar de vídeos, polícia diz que PMs "foram profissionais" em Paraisópolis

PM agride jovem em Paraisópolis - Reprodução
PM agride jovem em Paraisópolis Imagem: Reprodução
do UOL

Do UOL, em São Paulo

03/12/2019 12h19

A major Cibele Marsolla, porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, afirmou hoje que os PMs que estiveram na favela de Paraisópolis na madrugada do último domingo (1º) "foram profissionais" ao perseguir uma moto dentro de uma festa. Nove pessoas morreram pisoteadas após os PMs entrarem na comunidade que fica na zona sul de São Paulo.

Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, da Globo, a major disse, por telefone: "Não podemos condenar os policiais militares que estavam ali e foram profissionais, foram agredidos, não reagiram e recuaram".

Vídeos divulgados desde o fim de semana mostram PMs acuando frequentadores do baile em uma viela e agredindo algumas pessoas com chutes, tapas no rosto e pontapés.

Testemunhas vêm afirmando que foram agredidas, ameaçadas e impedidas de prestar socorro a vítimas feridas ou caídas no chão.

De acordo com Marsolla, oito pontos de baile ocorriam ao mesmo tempo em Paraisópolis naquela noite.

"Quando o baile já está instalado, a PM não age", afirmou. Segundo a major, em casos assim, o policiamento deve ser mantido no entorno — não dentro do baile — para evitar situações como furtos e roubos, devido ao grande número de pessoas concentradas em um único local.

No entanto, na versão da PM, policiais militares acabaram invadindo o baile em reação a uma moto que fugiu pela comunidade depois de passar atirando em uma patrulha policial montada na região.

Houve uma confusão generalizada, com gente correndo para todo o lado. Para a PM, foi a moto em fuga, e não a reação dos policiais, que causou o tumulto.

"As imagens dos vídeos que estão chegando serão apuradas, não conseguimos afirmar o que é daquele dia, o que é real", disse a major Marsolla. "A polícia está fazendo sua parte, tentando evitar vários deles (os bailes) por causa das reclamações".

De acordo com ela, a perturbação do sossego representa 1/4 das ligações do 190 no horário em que os bailes funk são realizados.

"Não podemos condenar os policiais militares que estavam ali e foram profissionais, foram agredidos, não reagiram e recuaram", ela defende.

"Foi uma situação muito triste a perda desses jovens", afirma a major.

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