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Por que Trump quer taxar aço? Entenda novo capítulo na relação Brasil-EUA

Presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump (EUA), durante encontro do G20, em junho - Brendan Smialowski/AFP
Presidente Jair Bolsonaro e Donald Trump (EUA), durante encontro do G20, em junho Imagem: Brendan Smialowski/AFP
do UOL

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

02/12/2019 18h46

Resumo da notícia

  • Presidente dos EUA disse que irá retomar tarifas sobre importações de aço e alumínio de Brasil e Argentina
  • Trump disse que países desvalorizaram suas moedas e que isso prejudica os agricultores dos EUA
  • Governo brasileiro diz que já está conversando com interlocutores em Washington
  • Bolsonaro negou a intervenção no câmbio e disse que Trump deve atender governo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (2) que irá retomar tarifas norte-americanas sobre importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina. A medida chamou atenção porque o presidente Jair Bolsonaro vê os EUA como um aliado preferencial, e os dois presidentes já trocaram elogios publicamente mais de uma vez.

Veja abaixo perguntas e respostas para entender melhor a medida anunciada por Trump, seus potenciais efeitos para o Brasil e como o governo brasileiro vem reagindo.

O que Trump alegou para taxar aço do Brasil?

O presidente americano justificou a decisão afirmando que Brasil e Argentina têm "promovido uma forte desvalorização de suas moedas", e que isso prejudica os agricultores dos EUA.

De fato, nas últimas semanas, o real teve uma forte desvalorização diante do dólar, que chegou a bater três recordes de fechamento seguidos na semana passada.

Com a desvalorização do real, a importação de produtos brasileiros nos EUA fica mais barata, e os produtores norte-americanos perdem competitividade.

O Brasil manipula o valor do real?

No Brasil o câmbio é flutuante desde 1999, ou seja, o governo não controla sistematicamente a compra e venda de moedas. Seu valor varia conforme o mercado.

Para tentar evitar grandes variações em pouco tempo, que podem prejudicar a economia, o Banco Central pode vender dólares, mas não controlar o preço.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, negou que o governo desvalorize de forma artificial o real, como sugerido por Trump. Bolsonaro afirmou que o real está sendo afetado pela própria guerra comercial entre EUA e China, além de outras questões da América Latina.

O que pode estar por trás da decisão de Trump?

A retomada da taxação vista por analistas como uma retaliação de Trump. Sua ideia com as taxas é diminuir a atratividade do aço e do alumínio brasileiros e tentar forçar a atuação do governo do Brasil no câmbio para valorizar o real.

Ele já tomou medidas semelhantes em relação a outros países, e está há meses em uma guerra comercial aberta com a China.

É a primeira vez que isso acontece?

Não. No ano passado, Trump anunciou sobretaxas de 25% para a importação de aço e 10% para a de alumínio, citando preocupações com a segurança nacional.

Após um acordo, porém, o presidente americano aceitou que a taxação de alguns países, incluindo o Brasil, fosse substituída por cotas limitadas de exportação. No caso do alumínio, a indústria escolheu a taxação de 10% em vez das cotas limitadas.

Quanto aço e alumínio o Brasil exporta aos EUA?

Os EUA são o maior destino das exportações brasileiras de aço, segundo o Instituo Aço Brasil, que representa os produtores do país, como Gerdau, Usiminas e CSN.

Das 16 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos exportados em 2018, 6,6 milhões foram para os EUA, segundo a entidade, o que corresponde a US$ 3,85 bilhões.

A Abal, associação de produtores de alumínio do Brasil, disse que o país exportou 119,5 mil toneladas do metal entre janeiro e outubro deste ano, sendo 52 mil para os EUA.

O que disse Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro disse que não vê a medida de Trump como uma retaliação. Ele disse, ainda, ter canal aberto com o presidente americano e que "quase certeza de que ele [Trump] vai nos atender".

O que o Brasil deve fazer?

O governo afirmou que já está em contato com interlocutores em Washington sobre a possibilidade de elevação das tarifas.

"O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países", afirmou em nota divulgada pelos ministérios da Economia, das Relações Exteriores e da Agricultura.

Segundo a "Folha", o governo não planeja impor tarifas a produtos americanos como retaliação. Esse tipo de medida foi adotado por outros países que entraram em guerra comercial direta com os EUA, como China, Rússia, Índia, Turquia e União Europeia.

A medida já está valendo?

Apesar de ter sido anunciada pelo presidente dos EUA, a medida ainda não entrou em vigor. Antes, ela precisa ser oficializada pelo USTr (Escritório de Comércio dos EUA). Por isso, membros do governo creem que a decisão ainda pode ser revertida.

(Com Reuters)

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