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Tesla Model 3: veja como é andar a 120 km/h em um carro que dirige sozinho

do UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

02/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Carro tem dois motores elétricos que entregam 451 cv
  • Modo Autopilot acelera, freia e faz curvas sem intervenção do motorista
  • Acabamento interno podia ser mais esmerado; desempenho é muito bom

Talvez você nem curta carros elétricos, mas certamente já ouviu falar na Tesla. A empresa liderada por Elon Musk nasceu em 2003 e foi uma das primeiras fabricantes a apostar em veículos movidos a eletricidade. Apenas alguns anos atrás é que grandes empresas como Volkswagen, Chevrolet e até a Porsche decidiram entrar de cabeça neste segmento, o que pode ameaçar o reinado de Musk.

Enquanto isso não acontece, UOL Carros aproveitou a estadia em Los Angeles para testar um Model 3. Além de ser o modelo mais barato da Tesla, o sedã é também o maior sucesso de vendas da marca. Mais de 33 mil unidades foram vendidas apenas na Califórnia nos seis primeiros meses do ano; no mundo inteiro, 128 mil carros foram entregues somente no primeiro semestre de 2019.

É um carro premium?

Diz o ditado que a primeira impressão é que fica. No caso do Model 3, ela foi bastante positiva: o design do sedã é realmente bonito e merece elogios pela fluidez das linhas. O desenho é bem limpo, sem vincos desnecessários e traços agressivos. O teto tem uma curvatura bastante suave em direção à traseira, que tem um visual inspirado no Model S.

Design do Model 3 é esguio e sem detalhes rebuscados - Vitor Matsubara/UOL
Design do Model 3 é esguio e sem detalhes rebuscados
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

O interior é bem diferente do que estamos acostumados na maioria dos carros. A fabricante explora ao limite o conceito de minimalismo: não há saídas de ar-condicionado nem botões físicos no console central.

Praticamente todos os comandos ficam agrupados na gigantesca tela vertical de 15,5 polegadas. A interface lembra muito a dos produtos da Apple, mas, ao contrário de um iPhone, é preciso certo tempo para navegar pelos menus com facilidade, algo que nos surpreendeu negativamente.

Minimalista ao extremo: cabine do Model 3 praticamente não tem botões - Vitor Matsubara/UOL
Minimalista ao extremo: cabine do Model 3 praticamente não tem botões
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Algumas funções não deveriam estar na central multimídia, como a regulagem de altura da coluna de direção e da posição dos espelhos retrovisores. Ambas são ajustadas pelo botão do tipo "scroll" que fica no aro esquerdo do volante. A regulagem de profundidade do volante é pouco intuitiva, já que é feita por movimentos para a esquerda e direita. Seria muito mais fácil colocar um controle parecido com um joystick, como fazem várias fabricantes.

Solta a voz: multimídia tem até função de karaokê com músicas em Português - Vitor Matsubara/UOL
Solta a voz: multimídia tem até função de karaokê com músicas em Português
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Os bancos são confortáveis, mas falta um pouco de esmero no acabamento interno para um carro que pode custar quase US$ 60 mil dependendo da versão. Os plásticos não têm textura e são praticamente opacos, lembrando muito o padrão de acabamento de veículos que ainda estão em fase de testes. As peças são bem encaixadas, embora algumas tampas de porta-objetos precisem de uma forcinha extra para fechar. E as portas podiam ter guarnições mais grossas para reduzir o barulho ao batê-las.

Carga bem rápida

A partida é dada por um cartão com aparência bem modesta, que lembra muito uma chave de quarto de hotel. Basta aproximá-la do console central para ligar o veículo - e é só encostá-la na coluna "B" para travar ou destravar as portas. Foi justamente este cartão que nos deixou na mão logo nos primeiros minutos de convivência com o Model 3. Precisamos ligar para o proprietário realizar a partida remota via aplicativo em seu smartphone e dirigir de volta para sua casa. Conseguimos seguir viagem após uma rápida reprogramação.

Chave é um cartão plástico de qualidade bem ruim - Vitor Matsubara/UOL
Chave é um cartão plástico de qualidade bem ruim
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Dirigibilidade é a principal virtude do Model 3. A direção é leve e bem direta e a versão avaliada traz dois motores elétricos que entregam 351 cv e torque máximo de 53,7 kgfm. As acelerações são muito rápidas e brutais até para quem está acostumado com carros elétricos.

Outro fator positivo está na autonomia de 518 quilômetros - ou 322 milhas, segundo a fabricante. Além do sistema de regeneração presente em praticamente todos os veículos movidos a eletricidade, o Model 3 pode ser carregado em qualquer estação de recarga.

Clientes carregando carros em estação dentro de shopping em Los Angeles - Vitor Matsubara/UOL
Clientes carregando carros em estação dentro de shopping em Los Angeles
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Escolhemos um dos pontos de recarga rápida mantidos pela Tesla no centro de Los Angeles quando o carro indicava pouco menos de metade da carga total disponível. Bastou menos de uma hora (justamente o tempo para o almoço) para ter a bateria praticamente cheia e seguir viagem. Segundo a marca, as baterias tem 80% de recarga em apenas 40 minutos.

Porém, tudo tem um preço, e neste caso não é tão barato assim: além do custo do estacionamento (US$ 11 por hora), o proprietário paga de acordo com o tempo de recarga. Atualmente, o preço é de US$ 0,28 por kWh de recarga, mas há localidades onde o custo varia de acordo com o tempo de uso. Neste caso, a conta fica em US$ 0,26 por minuto caso a potência seja acima de 60 kW ou US$ 0,13 quando for abaixo de 60 kW.

Anda (quase) sozinho

De baterias praticamente cheias caímos na estrada para testar a principal função do Model 3. O sistema Autopilot (que custa US$ 7 mil extras) é ativado por dois toques na alavanca da direita atrás do volante (um toque apenas liga o piloto automático), e um pequeno ícone na tela da central multimídia indica quando ele pode ser acionado.

A sensação de insegurança é inevitável. O sistema não apenas mantém a velocidade programada e sim acelera para respeitar a distância pré-estabelecida pelo usuário, como acontece na maioria dos pilotos automáticos adaptativos.

Desenho é limpo; teto tem curvatura suave no estilo 'cupê de quatro portas' - Vitor Matsubara/UOL
Desenho é limpo; teto tem curvatura suave no estilo 'cupê de quatro portas'
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Porém, o Autopilot acelera de forma tão bruta como se o motorista estivesse no comando, e isso é bastante assustador. Não foi fácil me concentrar em outras tarefas, como navegar pela internet ou enviar mensagens de Whatsapp, enquanto o Model 3 dirigia sozinho. Com o tempo você se acostuma e consegue até aproveitar o tempo para cantar, já que o sistema de entretenimento do carro traz função de karaokê com, pasme, músicas em português. Nada como cantar uma boa música sertaneja para lembrar de casa.

Rapidamente estávamos a 120 km/h sem usar mãos e pés, e todo cuidado é pouco, uma vez que os motoristas americanos não costumam andar devagar nas estradas. Assim como o Pilot Assist da Volvo, o sistema solicita que o motorista aplique uma pequena força no volante de vez em quando, apenas para certificar-se que ele está atento.

Além de acelerar e frear o carro, o recurso também faz curvas e até muda de faixa, desde que você sinalize com a seta. Qualquer toque no acelerador ou no freio desativa o Autopilot, e você só precisa fazê-lo caso queira realizar uma ultrapassagem ou sair da estrada.

No geral, o sistema funciona de forma bastante segura, mas é claro que o motorista precisa estar sempre atento para assumir o controle em qualquer situação.

E o futuro?

Elon Musk havia prometido que seus carros teriam capacidade de condução 100% autônoma até o final deste ano, algo que até agora não aconteceu.

A Tesla também luta para atingir as ambiciosas metas estabelecidas pelo bilionário, que são de 360 mil a 400 mil unidades neste ano - algo possível caso a empresa venda aproximamente 105 mil veículos até o fim do ano. Assim, a empresa de Palo Alto pode, enfim, comemorar mais resultados positivos, como o surpreendente lucro de US$ 143 milhões registrado em outubro, algo que não ocorria há muito tempo.

Bocal para recarga das baterias fica escondido embaixo da lanterna - Vitor Matsubara/UOL
Bocal para recarga das baterias fica escondido embaixo da lanterna
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Com os lançamentos previstos para o ano que vem, como o Model Y e a Cybertruck, a fabricante espera expandir seus domínios e quem sabe até cumprir a promessa feita por Elon de vender carros oficialmente no Brasil.

Enquanto isso não acontece, quem quiser um Model 3 precisará recorrer às importadoras independentes, que não vendem o sedã por menos de R$ 300 mil.

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