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Desvalorização da moeda se deve a fatores externos, diz Bolsonaro

do UOL

Da Agência Brasil

02/12/2019 13h50Atualizada em 02/12/2019 16h23

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta segunda-feira (2), não ver como retaliação ao Brasil a decisão do governo dos Estados Unidos de aumentar as tarifas para importação de aço e alumínio brasileiros. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, Brasil e Argentina estariam forçando uma desvalorização de suas moedas, o que tem prejudicado os agricultores daquele país.

"Não vejo isso como retaliação", disse Bolsonaro, em entrevista na manhã de hoje. Na avaliação do presidente, a correlação não procede porque a desvalorização das moedas locais está acontecendo em consequência de fatores externos.

O mundo está conectado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influenciam o dólar aqui, assim como coisas que acontecem no Chile, nas eleições na Argentina e no Uruguai. Tudo está conectado
Jair Bolsonaro

O presidente disse que o assunto será conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda hoje. "Se for o caso, vou ligar para o Trump. A economia deles é dezenas de vezes maior do que a nossa", disse.

Taxação anunciada por Trump via Twitter

A retomada das tarifas foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA) em sua conta no Twitter.

Segundo ele, "Brasil e Argentina têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para os agricultores norte-americanos. Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todos os aços e alumínio enviados para os EUA a partir desses países", disse Trump na rede social.

Reformas política e tributária

Bolsonaro afirmou, ainda, que as reformas política e tributária terão seu formato final decidido no Congresso Nacional, e não pelo Executivo.

O povo pede muito uma reforma política. Não tenho poder para isso. Ela vai de acordo com o entendimento dos parlamentares.
Jair Bolsonaro

Ele afirmou que "uma simplificação tributária é muito bem-vinda. Não adianta mandar para lá [Congresso Nacional] o que é ideal, mas o que é possível de ser aprovado. Se os governos anteriores tivessem desburocratizado, desregulamentado e simplificado muita coisa, o Brasil estaria muito melhor do que está no momento".

Aumentar isenção de IR

Bolsonaro comentou também da limitação que tem para cumprir sua promessa de campanha, de aumentar para R$ 5.000 a faixa de isenção para Imposto de Renda pessoa física. Segundo ele, esse é um exemplo das "diferenças entre o que queria fazer e o do que pode ser feito".

Gostaria de entregar meu governo tornando isento quem ganha até R$ 5.000 por mês. Estamos trabalhando para, este ano, chegarmos a R$ 2.000. Espero cumprir [a promessa de] R$ 5.000 até o final do mandato.
Jair Bolsonaro

Nas conversas com a equipe econômica, Bolsonaro disse que tem argumentado que o aumento da margem se justifica pelo fato de que quase todo imposto acaba retornando ao contribuinte, quando esse faz sua declaração. Portanto, segundo o presidente, esse aumento na margem acabaria por "poupar trabalho" para a própria Receita Federal.

Tem reação por parte da equipe econômica ou da Receita, quando digo isso? Tem. Em parte forço um pouco a barra, mas não vou constranger a equipe econômica nem a Receita Federal. Acredito que meus argumentos sejam ouvidos por eles, apesar de eu não entender de economia.
Jair Bolsonaro

Juros em queda

Mais cedo, ao participar do evento onde a Caixa Econômica Federal apresentou as ações realizadas pelo banco em prol das pessoas com deficiência, Bolsonaro disse que a atuação do banco, no sentido de baixar juros, está influenciando positivamente os bancos privados a fazerem o mesmo.

A Caixa, sem qualquer interferência por parte do presidente da República, está obrigando outros bancos a seguirem seu exemplo de administração, sob o risco de perder mais do que clientes, lucro. Ao tomar a decisão de diminuir taxas, ela ganha cada vez mais clientes, além de diminuir a inadimplência e, obviamente, aumentar o lucro.
Jair Bolsonaro

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