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Crise de expectativas catalisa protestos na América Latina

02/12/2019 19h53

Montevidéu, 2 dez 2019 (AFP) - Uma crise de confiança que corrói as expectativas de muitos latino-americanos à espera de avanços no exercício de seus direitos, assim como no plano econômico, catalisa os protestos na região - disseram especialistas reunidos pela Unesco, nesta segunda-feira (2), em Montevidéu.

Realizado por ocasião da reunião regional pelos 70 anos de presença da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na América Latina e no Caribe, o painel "Governabilidade democrática e justiça" buscou encontrar um fio condutor nos protestos que varrem o continente, reconhecendo, ao mesmo tempo, as especificidades das mobilizações nos diferentes países.

O diretor-executivo da Fundação Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Fausto, destacou que, na América Latina, houve processos paralelos de "criação de expectativas" - materiais, por um lado, e "igualdade de direitos, clássicos e novos direitos", por outro.

"Esta crise de confiança democrática se cruza com um panorama econômico caracterizado por baixo crescimento e desigualdade persistente", observou Michael Camillieri, do "think tank" Inter-American Dialogue, com sede em Washington.

As "maiores expectativas da população" coexistem com uma situação de baixos recursos dos governos, uma combinação que contribui para a insatisfação, explicou Camillieri.

Fausto apontou, por sua vez, que um dos principais desafios dos sistemas políticos latino-americanos é "criar novos espaços para que novas lideranças possam surgir e canalizar essa energia social".

Nesse sentido - completou -, no Chile, "a (discussão sobre uma) nova Constituição é uma oportunidade de gerar um novo consenso democrático na sociedade".

No mês passado, após semanas de implosão social, o Congresso chileno chegou a um histórico acordo para convocar um plebiscito, em abril de 2020. Nele, a sociedade chilena decidirá se quer uma nova Constituição para substituir a atual, em vigor desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

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