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Boeing: OMC confirma que subsídios à Airbus continuam prejudicando os EUA

02/12/2019 19h49

Nova York, 2 dez (EFE).- A Boeing declarou nesta segunda-feira que a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Europeia (UE) no conflito com a Airbus confirma que os "subsídios ilegais" à rival "continuam prejudicando a indústria aeroespacial dos Estados Unidos".

"A decisão de hoje é uma completa perda para a Airbus e seus patrocinadores governamentais", disse um porta-voz da Boeing à Aência Efe em reação ao veredicto, que abre a porta para que os EUA mantenham as contramedidas - autorizadas há dois meses - aos países da UE por US$ 7,5 bilhões.

De acordo com a Boeing, a decisão "confirma o que está claro há muito tempo: a UE não cumpriu as ordens da OMC, apesar de ter tido anos para isso, e milhões de euros em subsídios ilegais continuam a prejudicar a indústria aeroespacial americana".

"Esperamos que agora a Airbus e a UE finalmente se empenhem na resolução deste caso", acrescentou.

A OMC afirmou que a UE e quatro de seus integrantes - França, Alemanha, Espanha e Reino Unido - ainda não cumpriram os requisitos que estabeleceram quando foi determinado que tinham subsidiado ilegalmente a Airbus e que deveriam retirar esse auxílio.

A UE argumentou nesta segunda-feira que adotou 18 medidas para alterar os sistemas de ajuda financeira e crédito para o desenvolvimento de dois modelos Airbus (A380 e A350 XWB) para assim cumprir as regras da OMC, o que teria resultado na retirada dos subsídios ou no fim dos seus resultados negativos.

Mas a OMC conclui, entre outros pontos, que a UE não conseguiu provar a retirada de subsídios dos quatro países ao A380, ou ajudas similares dos governos de Alemanha e Reino Unido para o A350 XWB.

A Airbus destacou em comunicado que, diante das novas conclusões do painel da OMC, os Estados Unidos "devem reduzir imediatamente" em cerca de 2 bilhões de euros (US$ 2,216 bilhões) os US$ 7,5 bilhões de tarifas que podem legalmente infligir aos países europeus para compensar os danos sofridos pela Boeing.

A razão é que o apoio que a Airbus recebeu no início dos anos 2000 para o programa do A380 deixou de ser prejudicial para a fabricante americana, uma vez que o avião europeu deixou de ser vendido e deixará de ser fabricado porque não produziu o resultado comercial esperado quando foi concebido.

Questionada, a Boeing se recusou a responder e se referiu às conclusões do painel, que considerou "os efeitos 'indiretos' das subvenções ao A380" e os efeitos 'diretos' sobre o A350 XWB" como uma causa "genuína e substancial" de uma "perda atual de vendas" para a indústria americana.

Desde 18 de outubro, a disputa resultou em tarifas americanas de US$ 7,5 bilhões sobre mercadorias principalmente procedentes de Espanha, Alemanha, França e Reino Unido. EFE

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