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Localização faz aeroporto nos EUA receber 2 pousos de emergência por semana

Aeroporto de Bangor, nos EUA, é especializado em pousos de emergência - Divulgação
Aeroporto de Bangor, nos EUA, é especializado em pousos de emergência Imagem: Divulgação
do UOL

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Aeroporto de Bangor, no Maine (EUA), recebe mais de cem pousos de emergência por ano
  • Localização e infraestrutura o tornam boa alternativa de pouso para aviões que cruzam o Atlântico
  • Maioria dos pousos é motivada por problemas de combustível, devido aos ventos na rota em Europa e EUA
  • Também recebe voos de aviões militares e jatos executivos que precisam abastecer antes de cruzar o Atlântico
  • Há outros aeroportos que também costumam receber grande número de pousos de emergência por conta de sua localização

O que faz a fama de um pequeno aeroporto no Maine, Estados Unidos, não são seus apenas dez voos regulares por dia. Em Bangor, o que chama a atenção são os voos não programados que costumam pousar por ali. Há mais de cem pousos de emergência todos os anos, com uma média de mais de duas aterrissagens por semana.

Os voos regulares no aeroporto de Bangor são feitos com aeronaves comerciais pequenas, normalmente com capacidade para até 50 passageiros, como o Embraer 145 ou o Bombardier CRJ200. Mas a pista de 3.487 metros pode receber qualquer modelo de aeronave. É essa capacidade e sua localização que faz com que Bangor seja conhecido como um aeroporto para pousos de emergência.

Localizado no extremo nordeste dos Estados Unidos, o aeroporto é a última opção de pouso para os voos que deixam o país em direção à Europa e o primeiro para os aviões que acabam de cruzar o oceano Atlântico. Quando há algum problema no voo, Bangor passa a ser a melhor alternativa para um pouso não programado.

Maioria dos casos é para reabastecimento

Ao cruzar o Atlântico norte, os aviões estão sujeitos a fortes rajadas de vento. Quando elas são mais intensas do que o esperado, isso pode reduzir a velocidade do avião e fazer com que o consumo de combustível aumente durante a viagem. Ao constatar esse problema, os pilotos precisam fazer um pouso não programado para reabastecimento. Essa é a maior razão para os pousos de emergência em Bangor.

Veja o tipo de problema que leva às aterrissagens:

  • Combustível: 60,5%
  • Meteorologia: 21,7%
  • Saúde dos passageiros: 8,1%
  • Problemas mecânicos: 7,7%
  • Segurança: 2%

Parada para voos militares e executivos

Além de voos comerciais, o aeroporto também costuma receber aviões militares que estão retornando com tropas em missões especiais e aviões em voos de traslado para a Europa. Bangor também é uma das alternativas para pousos de emergência de naves espaciais da Nasa.

O aeroporto de Bangor é uma parada obrigatória para aviões de menor porte e jatos executivos que viajam dos Estados Unidos à Europa. Com menor autonomia de voo, eles fazem um pouso programado em Bangor para abastecer e, assim, poder cruzar o Atlântico. São cerca de 10 mil voos por ano nessas condições.

Infraestrutura de aeroporto internacional

Para lidar com tantas situações, o aeroporto de Bangor tem uma infraestrutura muito maior do que aquela que a necessária para atender apenas voos normais.

Embora o aeroporto não tenha voos internacionais regulares, a alfândega e a imigração funcionam 24 horas por dia. Além disso, há serviço completo de suporte aos aviões, como abastecimento, serviço de carga e facilidades para embarque e desembarque de passageiros.

Na semana passada, o aeroporto também anunciou um investimento de US$ 178 mil para melhoria de alguns serviços do aeroporto, novas pontes de embarque, balcões de check-in e novos sistemas de tecnologia para administração do terminal.

Outros aeroportos com grande número de pousos de emergência

Outros terminais também costumam receber um grande número de pousos não programados. Veja alguns exemplos:

Aeroporto Henderson Field, Midway (dependência dos EUA)

Localizado no oceano Pacífico, é utilizado para casos de emergência de voos que ligam a Ásia aos EUA.

Aeroporto Internacional de Mataveri, na Ilha de Páscoa (Chile)

Na parte sul do oceano Pacífico, é uma alternativa para voos que ligam a Oceania à América do Sul.

Aeroporto Internacional Ted Stevens Anchorage, no Alasca (EUA)

A localização faz dele uma boa alternativa de pouso para voos que sobrevoam a rota polar, que liga os EUA ao norte da Ásia.

Aeroporto de Tenerife (Espanha)

Alternativa para voos transatlânticos, o aeroporto foi palco do pior acidente da história da aviação mundial, quando se chocaram na pista dois Boeing 747 que haviam desviado para lá devido às más condições do tempo.

Aeroporto de Ilha do Sal (Cabo Verde)

A pequena ilha tem um aeroporto capaz de receber aviões de grande porte. No meio do caminho entre a América do Sul e a Europa, a Ilha do Sal costuma ser ponto de parada, por exemplo, dos aviões da Embraer vendidos a companhias aéreas da Europa.

Aeroporto Internacional de Keflavik (Islândia)

No extremo oeste da Europa, também é uma alternativa para os voos que cruzam o Atlântico norte.

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