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Pesquisa aponta: andar de moto em SP é quase certeza de sofrer acidente

Zanone Fraissat/Folhapress
Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress
do UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

27/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Fundación Mapfre produziu estudo sobre perfil de motociclistas na capital paulista
  • Levantamento ouviu 1.210 motociclistas que rodam na cidade
  • 93% dos entrevistados disseram que já se envolveram em acidente
  • Maior parte dos acidentados não requereu indenização do seguro DPVAT

Pesquisa realizada pela Fundación Mapfre sobre o perfil dos motociclistas que trafegam na cidade de São Paulo aponta dados preocupantes. De acordo com o estudo quantitativo, que ouviu 1.210 condutores de motocicleta e dez técnicos em trânsito, 93% dos entrevistados afirmaram já terem se envolvido em acidente.

A Mapre informa que 95% dos participantes são homens, 55% são casados, 59,8% se declaram pardos e 65% têm até 35 anos de idade.

O levantamento também aponta que 80% dos motociclistas relataram conhecer alguém que morreu no trânsito e 84% têm ao menos um colega com sequelas após cair da moto. Além disso, 54,2% dos entrevistados relataram ter pilotado uma moto antes dos 18 anos de idade e 68,3% disseram que já conduziram sem habilitação.

De acordo com o estudo, o desrespeito à obrigatoriedade de portar CNH válida para pilotar motocicleta é justificada pelo alto custo e pela burocracia no processo de habilitação de novos condutores.

Causa dos acidentes

Estresse, distração de motoristas e pedestres e pressão por pontualidade são causas relatadas - Ronaldo Silva/Futurapress/Folhapress
Estresse, distração de motoristas e pedestres e pressão por pontualidade são causas relatadas
Imagem: Ronaldo Silva/Futurapress/Folhapress

Os participantes apontaram como causa dos acidentes estresse, distração de motoristas e pedestres, pressão por pontualidade e condições das vias e da sinalização. Muitos trabalham como motoboys.

De acordo com informações do Datasus, o departamento de informática do SUS (Sistema Único de Saúde), cerca de 40 mil pessoas morrem todos os anos no trânsito brasileiro, dos quais 33,4% são motociclistas. Os gastos com as vítimas de trânsito no País são estimados em aproximadamente R$ 36 bilhões por ano de 1998, quando entrou em vigor o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), até o fim de 2017.

DPVAT: motociclistas dominam indenizações

A pesquisa da Fundación Mapfre foi divulgada alguns dias após o governo federal anunciar a intenção de extinguir o DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos) a partir do início do ano que vem, por meio de medida provisória apresentada ao Congresso.

De acordo com o Ministério da Economia, a extinção do Seguro Obrigatório foi motivada pelo alto índice de fraudes e também por conta dos custos elevados para a gestão do benefício.

Os motociclistas serão os mais afetados, considerando que as indenizações por invalidez permanente pagas pelo DPVAT a motociclistas representaram 75% do total, ultrapassando de 246 mil pagamentos.

Especificamente em relação à pesquisa, 75% dos motociclistas disseram nunca ter dado entrada no pedido de indenização, contra apenas 15% que relataram já ter solicitado o benefício - outros dez não responderam.

Ao mesmo tempo, o baixo percentual de motociclistas que disseram ter acionado o Seguro Obrigatório, aponta o estudo, corresponde a menos da metade daqueles que declararam terem ficado gravemente feridos.

Dos que requisitaram o ressarcimento, 60% relataram terem recebido o pagamento.

A Fundación Mapfre concluiu que "os relatos revelam a pouquíssima informação dos motociclistas acerca do seguro DVAT e um desconhecimento muito acentuado sobre quem e em quais condições pode receber o benefício"

Dentre os que não receberam o seguro, relataram como entraves fatores como excesso de burocracia; ausência de retorno ao dar entrada no processo; e indeferimento do processo, apesar de terem recorrido mais de uma vez.

Os testemunhos confirmam falta de informação

Burocracia é uma das justificativas para não receber indenização; maioria desconhece direitos - Severino Silva/Agência o Dia/Estadão Conteúdo
Burocracia é uma das justificativas para não receber indenização; maioria desconhece direitos
Imagem: Severino Silva/Agência o Dia/Estadão Conteúdo

"Não [acionei] porque eu fiquei internado só cinco dias... seguinte: DPVAT é quando você fica um monte de dias, é quando quebra mesmo, eu só me esfolei, ninguém ia pagar, nada não", foi um dos relatos colhidos na pesquisa.

"Como eu estava com a moto do cliente, eu nem sabia, mas eu poderia ter feito, não é? Por que, como é de trânsito, a pessoa pode receber o DPVAT, não é? Gastei bastante com remédio e fiquei sem trabalhar dez dias!", foi outro depoimento.

"Recebi uma mixaria. Não acessei sozinho, teve aquelas mata-fomes lá do posto que fica no hospital(...). Acho que tive que dar para eles 500 reais e o que eu recebi, acho que foi mil Reais, ou mil e cem..", disse outro motociclista.

Se passar no Congresso e for realmente extinto, o DPVAT ainda seguirá pagando as indenizações nos próximos cinco anos de sinistros ocorridos antes de 1º de janeiro de 2020.

Segundo o governo federal, a partir dessa datam, as vítimas e os acidentados continuarão sendo assistidos pelo SUS e pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada).

O BPC é um benefício de renda no valor de um salário mínimo para pessoas com deficiência de qualquer idade ou para idosos com idade de 65 anos ou mais que apresentam impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Para a concessão deste benefício, é exigido que a renda familiar mensal seja de até 1/4 de salário mínimo por pessoa.

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