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"Revolução digital" contribui para que 80% de adolescentes sejam sedentários no mundo, diz OMS

22/11/2019 08h22

Quatro em cada cinco adolescentes no mundo são sedentários, especialmente as meninas, alertou um estudo revelado nesta sexta-feira (22) pela Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a porcentagem é ainda maior com 84% de jovens entre 11 e 17 anos que não praticam uma hora diária de atividade física diária, como recomenda a OMS. Uma das causas desta tendência é a "revolução digital", aponta o estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health.

Quatro em cada cinco adolescentes no mundo são sedentários, especialmente as meninas, alertou um estudo revelado nesta sexta-feira (22) pela Organização Mundial da Saúde. No Brasil, a porcentagem é ainda maior com 84% de jovens entre 11 e 17 anos que não praticam uma hora diária de atividade física diária, como recomenda a OMS. Uma das causas desta tendência é a "revolução digital", aponta o estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health.

Para estimar o número de adolescentes sedentários, a OMS analisou pela primeira vez dados reunidos entre 2001 e 2016, envolvendo 1,6 milhão de estudantes de 146 países. Em todo o mundo, 81% dos jovens entre 11 e 17 anos escolarizados não cumpriram a recomendação de uma hora diária de atividade física em 2016, registrando uma ligeira queda em relação a 2001 (82,5%). A situação atual é muito mais preocupante entre as meninas, 85%, do que entre os meninos, 78%.

Os dados indicam que a tendência não se inverteu recentemente, afirmou Leanne Riley, coautora do estudo, durante a apresentação à imprensa do estudo. Uma das causas da falta de atividade física é a "revolução digital", que mudou o comportamento dos jovens, já que as telas nos tornaram "menos ativos", explica Riley.

Ela também destacou a insegurança crescente que, por exemplo, dificulta a ida dos adolescentes a pé ou de bicicleta à escola. Além disso, a principal autora da pesquisa, Regina Guthold, lembra que os jovens são cada vez mais estimulados a estudar, que é uma prática sedentária. Ela incentiva os professores a favorecer o deslocamento diário dos alunos "de forma lúdica".

Diferenças de gêneros

O percentual de adolescentes que não segue a recomendação da OMS vai de 66% em Bangladesh a 94% na Coreia do Sul. Países que têm uma cultura esportiva registram maiores índices de atividade física. Este é o caso da Índia, devido à importância da prática do críquete no país, e dos Estados Unidos, graças à boa qualidade da educação física nas escolas, à grande cobertura midiática que o esporte tem e a boa acessibilidade aos clubes.

Na maior parte dos países, a diferença entre a proporção de meninos e meninas sedentários aumentou. "Por motivos culturais", as meninas costumam ser menos motivadas a praticar um esporte ou uma atividade física, como ir à escola de bicicleta, diz Guthold.

As maiores diferenças de gênero se observam na Irlanda e nos Estados Unidos. Estes países "fizeram muito para promover uma participação esportiva maciça, mas se trata de eventos que interessam mais os rapazes", explicou Riley. Só em quatro países do mundo as meninas que vão à escola são mais ativas que os meninos. São eles: Tonga, Samoa, Zâmbia e Afeganistão.

França/Brasil

No Brasil, mais de 8 em cada 10 adolescentes não praticam atividades físicas regularmente. O sedentarismo é ainda mais grave entre as meninas brasileiras: 89% delas se exercitam muito pouco, contra 78% dos garotos.

Em comparação, na França, a percentagem de jovens que não se exercitam é ainda pior e chega a 87%, registrando também essa diferença entre meninos e meninas. Segundo um relatório da OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, aos 15 anos, 14% dos meninos franceses realizam uma atividade física cotidiana, contra apenas 6% das meninas francesas.

Os especialistas franceses dizem que esses números são consequência de uma densa jornada escolar. As aulas começam pela manhã e vão até o final da tarde no país. Chegando em casa, os alunos ainda precisam fazer os deveres e os exercícios físicos acabam ficando de lado.

Pouca diferença entre ricos e pobres

Por outro lado, o estudo da OMS não mostra "nenhum vínculo evidente" entre o grupo de renda dos países e a insuficiência da atividade física dos adolescentes escolarizados. As taxas de inatividade são elevadas tanto em potências desenvolvidas quanto emergentes.

A região onde os jovens são mais inativos é a Ásia-Pacífico, tanto para meninos quanto para meninas. A prevalência menor foi observada em países ricos para os meninos e na Ásia meridional para as meninas.

Segundo a OMS, os adolescentes deveriam acumular pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a intensa. Diante da sedentarizarão da sociedade, os países fixaram o objetivo de reduzir em 15% a inatividade física dos adultos e dos adolescentes entre 2018 e 2030. "Fixamos metas ambiciosas, mas não as estamos alcançando. Temos que fazer mais para frear o avanço da obesidade neste grupo etário e promover melhores níveis de atividade física", destacou Riley.

(Com informações da AFP)

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