Topo

Lançamento da safra 2019 do Beaujolais Nouveau é ameaçado por novas taxas de importação nos EUA

21/11/2019 12h03

Apreciadores de vinho do mundo inteiro se reúnem tradicionalmente na terceira quinta-feira de novembro para o lançamento mundial da safra do vinho Beaujolais Nouveau. Mas este ano, as taxas impostas pelos Estados Unidos aos vinhos franceses podem estragar a festa dos consumidores americanos.

Apreciadores de vinho do mundo inteiro se reúnem tradicionalmente na terceira quinta-feira de novembro para o lançamento mundial da safra do vinho Beaujolais Nouveau. Mas este ano, as taxas impostas pelos Estados Unidos aos vinhos franceses podem estragar a festa dos consumidores americanos.

O presidente Donald Trump aumentou a taxa de entrada de produtos franceses no território americano entre 10% e 25%, em outubro de 2019. As tarifas entraram em vigor após a Organização Mundial do Comercio (OMC) impor sanções contra a União Europeia, em represália a subvenções dadas à Airbus. Um dos setores mais prejudicados com as novas regras foi o vinícola.

O imposto poderia aumentar em até 45% o preço da garrafa de Beaujolais Nouveau. O aumento coloca em risco toda a estratégia de venda de quase uma década dos produtores franceses para conquistar o mercado americano. Cada ano, 24 milhões de garrafas de Beaujolais Nouveau são consumidas no mundo.

Os Estados Unidos são o segundo maior consumidor do vinho, logo depois do Japão. Reino Unido e China são outros grandes importadores desse millésime, produzido com a variedade de uva Gamay.

Para evitar o repasse do custo para o cliente final e uma possível anulação dos pedidos da safra de 2019, produtores, importadores e distribuidores decidiram dividir os custos do aumento. Os americanos pagam entre US$ 22 (R$ 93) e US$ 70 dólares (R$ 293) por uma garrafa de Beaujolais Nouveau, vinho que na França custa menos de € 10 euros (R$ 46) nos supermercados.

Estratégia de venda

O Beaujolais é produzido nos vinhedos localizados nas denominações Beaujolais e Beaujolais-Villages, na Borgonha, centro-leste da França. Seu diferencial é ser lançado no mesmo ano que as uvas foram colhidas e passar por um processo curto de fermentação que resulta em um vinho leve, de sabor frutado e com poucos taninos.

Devido a um esquema especial de distribuição e venda, as garrafas chegam a diversas partes do mundo no mesmo dia, a terceira quinta-feira de novembro. Essa estratégia de venda gerou uma moda em torno do primeiro vinho do ano, que para alguns pode ser um presságio da safra do ano.

Apesar da ameaça americana, os números desse ano são prometedores. Associações de produtores registraram uma alta nas vendas de 11%, enquanto o setor do vinho na França registra queda de 2%.

Notícias