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Indígenas bolivianos se mostram divididos sobre saída de Morales

21/11/2019 12h34

Por Gram Slattery e Manuel Seoane

EL ALTO, Bolívia (Reuters) - Em El Alto, a cidade que fica logo acima de La Paz, líderes indígenas como Jaime Gualberto Pablo Terrazas vêm liderando a luta pela volta do ex-presidente Evo Morales.

Na cidade a 4.000 metros de altitude, centenas de bolivianos bloquearam uma importante usina de energia e travaram confrontos letais com as forças de segurança.

Outros marcharam até La Paz carregando a colorida wiphala --a bandeira com quadrados de sete cores que vários grupos indígenas andinos usam-- com o objetivo de aumentar a pressão sobre a presidenta interina, Jeanine Áñez.

Mas El Alto tem uma história mais complexa para contar: uma fissura entre as muitas comunidades indígenas, cujas opiniões sobre Morales estão longe de ser uniformes em um país que está sendo abalado pelas divisões políticas.

"Dizem-nos que somos índios, que somos a raça negra, a raça maldita", disse Pablo Terrazas, líder político de uma província de terras altas ao participar da interdição da usina de Sentaka, que abastece La Paz com gasolina, diesel e gás de cozinha.

Terrazas disse que estaria disposto a pagar até "o último preço", mas admitiu diferenças com outros líderes indígenas, que estão conversando com o governo atual para encerrar os protestos em troca de eleições rápidas.

"O governo quer nos dividir. Como? Estão pegando nossos líderes e ex-líderes e estão falando com eles. Mas estamos decididos a não respeitar isso", acrescentou.

Em El Alto, onde na terça-feira a milícia e a polícia perfuraram o bloqueio, deixando ao menos três mortos, muitos grupos indígenas estão pedindo paz e olhando além de Morales -- alguns estão suspendendo os bloqueios, e outros retornando ao trabalho.

Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, foi para o México neste mês depois de ser pressionado a renunciar diante dos protestos populares e das cobranças de grupos cívicos, da polícia e do Exército após a confusão causada pelas acusações de manipulação das eleições presidenciais que venceu em outubro.

Desde sua renúncia, em 10 de novembro, a Bolívia testemunha um enfrentamento entre seus adversários, que dizem que ele se aferrou ao poder por tempo demais, e seus partidários, que argumentam que ele trouxe estabilidade a uma nação volátil e deu voz aos grupos marginalizados.

Desde então, a violência irrompeu em confrontos que causaram mais de 20 mortos e interdições que deixaram as principais cidades com pouco alimento e combustível.

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