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Na OEA, Brasil e 25 países pedem eleições em caráter urgente na Bolívia

20/11/2019 18h01

Washington, 20 nov (EFE).- O Brasil e outros 25 países aprovaram nesta quarta-feira na Organização dos Estados Americanos (OEA) uma resolução para pedir às autoridades da Bolívia para que convoquem eleições em caráter urgente, em meio à crise política e aos protestos que ocorrem no país há várias semanas.

A iniciativa, promovida por Brasil e Colômbia, recebeu apoio surpreendente da própria Bolívia (atualmente sob governo interino) e de nações caribenhas, que consideraram crucial a convocação de eleições, embora tenham criticado o papel das Forças Armadas e a forma como Jeanine Áñez assumiu a presidência há uma semana.

Três países se opuseram (Nicarágua, México e São Vicente e Granadinas), quatro se abstiveram (Uruguai, Barbados, Suriname e Trinidad e Tobago) e um esteve ausente (Dominica).

Os votos favoráveis foram de Brasil, Antígua e Barbuda, Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Estados Unidos, Granada, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, São Cristóvão e Nevis, Santa Lucia e Venezuela

A iniciativa visa pressionar Jeanine Añez para marcar uma data para a convocação de eleições. Ela assumiu a presidência interinamente depois que Evo Morales anunciou sua renúncia em 10 de novembro após um relatório da OEA denunciar graves irregularidades nas eleições de 20 de outubro, nas quais ele foi reeleito para um quarto mandato.

Com a resolução de hoje, a OEA decidiu "exortar as autoridades bolivianas a convocarem urgentemente eleições, de acordo com o mandato constitucional e legal da Bolívia, adotando prontamente um calendário eleitoral que dê certeza ao povo boliviano sobre um processo eleitoral com todas as garantias democráticas".

Os 26 países que aprovaram a medida pediram às autoridades da Bolívia que garantam que quem violar os direitos humanos terá que assumir responsabilidades diante da Justiça. Além disso, solicitaram que "todos os atores políticos e civis na Bolívia", incluindo as Forças Armadas, para que, "de imediato", cessem a violência e "busquem um diálogo franco para promover a reconciliação democrática nacional".

De acordo com a Defensoria do Povo da Bolívia, 30 pessoas morreram e 775 ficaram feridas desde as eleições de 20 de outubro, nas quais o então presidente Evo Morales foi declarado vencedor por um quarto mandato consecutivo em meio a alegações de fraude por parte da oposição. Posteriormente, em 10 de novembro, uma auditoria da OEA advertiu sobre irregularidades "muito graves" no pleito.

No dia seguinte, Morales deixou a Bolívia após pressão das Forças Armadas para deixar o poder e recebeu asilo no México. O ex-presidente alega ter sido vítima de um "golpe de Estado". EFE

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