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Dólar recua ante rivais, diante de incertezas sobre acordo EUA-China

Iander Porcella

São Paulo

14/11/2019 18h57

O dólar recuou ante rivais nesta quinta-feira, em meio a versões divergentes sobre o andamento das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, o que impulsionou a busca por segurança no mercado internacional.

Perto do horário de fechamento em Nova York, o dólar caía a 108,44 ienes e a 0,9889 franco suíço, enquanto o euro avançava a US$ 1,1019 e a libra subia a US$ 1,2878. O índice DXY, que mede a variação da divisa dos EUA ante uma cesta de seis rivais, encerrou o dia em queda de 0,21%, aos 98,163 pontos.

Ontem, o assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, negou que as tratativas para a assinatura da chamada "fase 1" do acordo comercial entre americanos e chineses tenham sido paralisadas por um impasse. Mas hoje, fontes ouvidas pelo Financial Times disseram que Pequim e Washington enfrentam dificuldades para chegar a um consenso sobre questões como propriedade intelectual, compras agrícolas e remoção de tarifas.

Colaborou também para a incerteza no exterior o fato de a produção industrial da China em outubro ter ficado abaixo das expectativas do mercado, assim como os dados de vendas do varejo e investimentos em ativos fixos.

Os investidores acompanharam, ainda, o segundo dia de discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, no Congresso americano. O banqueiro central disse que não vê "sinais alarmantes" no momento e que os EUA estão em "posição sustentável". Powell afirmou também que a inflação não tem enfrentado muita pressão do "forte" mercado de trabalho.

A libra e o euro avançaram sobre o dólar apesar de dados considerados fracos no continente europeu. No Reino Unido, a queda de 0,1% nas vendas do varejo surpreendeu, já a Alemanha conseguiu evitar uma recessão técnica, com uma alta de 0,1% do PIB no terceiro trimestre. Segundo o analista de mercado do Western Union Joe Manimbo, no entanto, "o dado não foi motivo para celebração, na medida em que ventos contrários sobre o crescimento permanecem devido à instabilidade do comércio global e às perspectivas incertas do Brexit".

Ante divisas emergentes, o dólar recuava a 59,6306 pesos argentinos, a 14,8439 rands sul-africanos e a 19,3454 pesos mexicanos, perto do fechamento em Nova York. Hoje, o Banco Central do México (Banxico) reduziu a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 7,50% ao ano.

Já o peso chileno renovou a mínima histórica em relação ao dólar, apesar de o Banco Central do Chile (BCCh) ter iniciado hoje a intervir no mercado por meio de leilões de swap cambial. No fim da tarde, a moeda americana subia a 803,60 pesos chilenos.

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