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Evo Morales está disposto a voltar "cedo ou tarde" para a Bolívia

Evo Morales fala em El Alto - Enzo De Luca/ABI/Handout via Xinhua
Evo Morales fala em El Alto Imagem: Enzo De Luca/ABI/Handout via Xinhua

México

13/11/2019 22h19

O ex-presidente boliviano Evo Morales disse hoje no México, onde está na qualidade de asilado, que voltaria para "pacificar" seu país se os bolivianos pedissem, após semanas de protestos violentos que levaram à sua demissão.

Morales deu sua primeira coletiva de imprensa do exílio, na qual reiterou que sua demissão visou a conter a violência que sacudiu a Bolívia.

"Se meu povo pedir, estamos dispostos a voltar para apaziguar, mas é importante o diálogo nacional", disse Morales, acrescentando: "vamos voltar cedo ou tarde. Quanto antes melhor para pacificar a Bolívia".

Ele reiterou seu chamado a um diálogo nacional, no qual poderiam participar "países amigos" em uma espécie de mediação entre as forças políticas.

"É importante o diálogo nacional. Sem diálogo nacional, estou vendo que vai ser difícil deter este confronto", acrescentou.

Ele lançou um apelo à Polícia e às Forças Armadas, que o pressionaram para que apresentasse sua renúncia, a não "usar tiros contra o povo".

Até a terça-feira, eram sete os mortos na Bolívia em 23 dias de protestos, após as eleições polêmicas em que Morales foi eleito para um quarto mandato, pleito que foi tachado de fraudulento pela oposição e que uma missão da OEA qualificou como repleto de "irregularidades".

Perguntado se o governo americano poderia estar por trás do que ele e os países que o apoiam destacam como um golpe de Estado, respondeu que não tem informação.

"Mas sim, imaginarmos que certamente (os Estados Unidos) são os que aportam conceitos e estratégias", ressaltou.

Horas depois, no Twitter, Morales condenou a "decisão de (Donald) Trump de reconhecer o governo de fato e autoproclamado pela direita" liderado pela presidente interina Jeanine Añez.

"O golpe de Estado que provoca mortes dos irmãos bolivianos é uma conspiração política e econômica que vem dos EUA".

Sobre a proclamação de Añez como presidente interina, Morales disse que é a confirmação do "golpe" contra ele e que foi um ato fora da legalidade, pois não foi celebrada a sessão em que o Legislativo aceita sua renúncia, como prevê a Constituição.

À tarde, Morales foi recebido em uma cerimônia pela prefeita da Cidade do México, a esquerdista Claudia Sheinbaum, que lhe entregou uma medalha e um pergaminho para declará-lo um "hóspede distinto" da capital.

Ao chegar, dezenas de pessoas o receberam do lado de fora da prefeitura gritando "Aimará, irmão, o povo te dá a mão!" e "você não está sozinho".

Em agradecimento, Morales disse que dentro e fora de seu país "eles não aceitam que a Bolívia é anticolonialista e antiimperialista" e que ele não renunciou como "covarde", mas por "cuidar da vida" dos bolivianos.

Morales chegou ontem ao México na qualidade de asilado em um avião militar mexicano.

Esta tarde, será declarado hóspede honorário pela prefeitura da Cidade do México.

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