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União política em torno do primeiro-ministro iraquiano e contra manifestantes

09/11/2019 13h37

Bagdá, 9 Nov 2019 (AFP) - As forças iraquianas dispersaram, neste sábado, manifestantes que novamente pediram "o fim do regime" em Bagdá, enquanto o governo chegou a um acordo para manter o primeiro-ministro, Adel Abdel Mahdi, e usar a força, se necessário, para terminar com os protestos.

Na cidade de Basra (sul), três manifestantes foram mortos e dezenas feridos pelas forças de segurança que dispararam munição contra os membros de uma marcha que convergiu para a sede do governo, segundo fontes médicas.

Nesse contexto, as principais forças políticas iraquianas concordaram em manter o primeiro-ministro criticado no cargo e acabar com as manifestações, mesmo usando a força, afirmaram à AFP neste sábado dois líderes políticos de alto nível, que pediram anonimato.

Com a unidade restaurada na arena política, as forças de segurança intervieram na madrugada deste sábado para retomar três pontes ocupadas por manifestantes e dispersar vários campos de oponentes no Sul do país.

- Patrocínio do Irã -Segundo uma das fontes políticas, o acordo surgiu após reuniões em Najaf, cidade sagrada xiita do sul, sob a égide do general Qasem Soleimani, comandante das forças encarregadas das operações externas dos Guardiões da Revolução, um exército ideológico iraniano.

O Irã, uma potência regional muito influente no vizinho Iraque, centraliza a raiva dos manifestantes, que atacaram o consulado iraniano em Kerbala (sul).

O general Soleimani obteve em Najaf dois importantes apoios ao primeiro-ministro Abdel Mahdi: o do líder xiita Mqtada Sadr - que até recentemente pedia a renúncia do chefe de governo - e o do filho do grande aiatolá Ali Sistani, a maior autoridade xiita no Iraque, Mohamed Reda Sistani.

"As forças políticas concordaram em manter o primeiro-ministro Abel Abdel Mahdi e reter o poder, apesar de admitir reformas, especialmente no combate à corrupção e emendas constitucionais", afirmou um dos consultados à AFP.

Essas forças deram carta branca ao governo para "pôr um fim às manifestações, por todos os meios", acrescenta.

- Renovação do sistema -Desde 1º de outubro, o Iraque está passando por uma onda de manifestações e violência que deixou mais de 300 mortos, segundo um balanço da AFP.

As manifestações são alimentadas pela corrupção da classe política e pela falta de trabalho.

Os manifestantes também reivindicam a renúncia de todos os responsáveis políticos e uma renovação total do sistema político implementado desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003.

O movimento parece intocado desde então e os iraquianos continuam a tomar as ruas para exigir "a queda do regime".

Centenas de manifestantes continuaram reunidos neste sábado na emblemática praça Tahrir, em Bagdá.

O corte na internet, que persiste desde o início da semana, faz com que os iraquianos temam o pior, pois se lembram dolorosamente do que aconteceu durante a primeira semana de outubro.

Em um país isolado do mundo, 157 pessoas morreram naquele período de acordo com um balanço oficial, muitas delas nas mãos de atiradores que semearam o terror posicionados nos telhados.

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