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Lula e Bolsonaro se preparam para duelo pelo destino do Brasil

09/11/2019 12h31

São Bernardo do Campo, Brasil, 9 Nov 2019 (AFP) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que saiu da prisão na sexta-feira, e o presidente Jair Bolsonaro começaram neste sábado a alinhar suas respectivas forças para protagonizar a batalha pelo destino do Brasil.

"Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", tuitou Bolsonaro na manhã deste sábado.

Lula realizará um comício na tarde deste sábado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (arredores de São Paulo), berço de sua carreira política e lugar onde se entregou à polícia em 7 de abril de 2018 para começar a cumprir sua pena de prisão.

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT), de 74 anos, cumpria uma pena de oito anos e 10 meses de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas foi solto depois de que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o início do cumprimento de sentenças após condenação em segunda instância e antes de que os acusados esgotem todos os recursos legais.

Assim que saiu da sede da Polícia Federal em Curitiba, onde passou 580 dias, Lula denunciou ante centenas de partidários as políticas econômicas liberais de Bolsonaro e anunciou que vai "percorrer esse país e discutir com o nosso povo uma saída".

"Além de continuar lutando para melhorar a vida do povo brasileiro - que está uma desgraça -, além de lutar para não permitir que esses caras entreguem o país, eu quero" mostrar "o lado mentiroso" das instituições judiciais que trabalham para criminalizar a esquerda, declarou.

Lula disse que, com o atual governo, "o povo está passando mais fome, está sem emprego, trabalha para a Uber ou entregando pizzas em bicicleta".

Lula confirmou no comício sua intenção de se casar com a socióloga Rosângela da Silva, de 52 anos segundo a imprensa, que estava a seu lado. Eles se beijaram a pedido da multidão.

- "Dia triste para o Brasil honesto" -Em seu discurso em Curitiba, Lula acrescentou que também se empenharia em "demostrar que este país pode ser muito melhor se tiver um presidente que não minta tanto no Twitter como Bolsonaro".

Bolsonaro, adepto das redes sociais, se absteve na sexta de comentar a decisão do STF, que obrigará a revisar a situação de quase 5.000 presos.

A tarefa de expressar a indignação coube a seus filhos.

"Milhares de presos serão soltos (...), gerarão graves consequências sociais e econômicas internas e externas", escreveu o vereador Carlos Bolsonaro.

A organização Vem Pra Rua (VPR), muito ativa nas mobilizações que em 2016 levaram ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, convocou para este sábado à tarde marchas em todo o país contra a decisão do STF.

"Dia triste para o Brasil honesto, mas ver todas essas pessoas em Criciúma-SC renovam nossas energias. Quanto maior o obstáculo maior vitória. O Brasil tem jeito, vamos adiante", escreveu o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

- Esquerda continental comemora -A libertação de Lula foi celebrada por dirigentes e governos da esquerda continental, em um momento de convulsões políticas e sociais em muitos países da região.

"Comove a força de @LulaOficial para enfrentar esta perseguição (...) Sua integridade demonstra não só o compromisso mas também a imensidade desse homem. Viva #LulaLivre!", escreveu o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que visitou Lula na prisão durante a campanha.

Cuba e Venezuela também celebraram a notícia, assim como o pré-candidato democrata dos Estados Unidos Bernie Sanders, que lembrou que durante sua presidência Lula "fez mais que qualquer um para reduzir a pobreza e para defender os trabalhadores".

- Reações de satisfação na Europa -Vários responsáveis políticos europeus de esquerda celebraram neste sábado a libertação de Lula.

"O lugar de Lula não é na prisão (...) Recuperou a liberdade, sei que a colocará a serviço do Brasil", afirmou o ex-presidente socialista francês François Hollande.

O líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn também comemorou no Twitter: "A prisão do ex-presidente Lula foi injusta e incorreta (...) O Brasil precisa do tipo de mudança real com o qual Lula sempre se comprometeu".

Também na França, Jean-Luc Mélenchon, presidente do partido de esquerda radical "La France Insoumise", que visitou Lula na prisão em setembro, afirmou no Twitter: É "a vitória de alguém que aguenta e se nega a se deixar intimidar", disse.

"Lula livre, o Brasil respira", afirmou Fabien Roussel, secretário-geral do Partido Comunista francês.

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