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Justiça indiana autoriza construção de templo hindu em lugar disputado com muçulmanos

09/11/2019 15h28

Nova Délhi, 9 Nov 2019 (AFP) - O supremo tribunal indiano abriu, neste sábado, o caminho para a construção de um templo hindu em um lugar sagrado do norte do país disputado durante décadas com os muçulmanos.

A decisão é uma vitória para o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Em 1992 uma turba destruiu uma mesquita de 460 anos de antiguidade que havia no local.

O tribunal determinou que o local em Ayodhya, no norte da Índia, tem que ser entregue a um consórcio que supervisionará a construção de um templo hindu, com algumas condições.

O tribunal determinou também neste sábado que outro terreno em Ayodhya será entregue a grupos muçulmanos para que possam construir uma nova mesquita.

Segundo a imprensa indiana, o tribunal considerou que as provas arqueológicas demonstram que uma estrutura "de origem hindu" foi construída no lugar antes da mesquita.

Modi comemorou a decisão e disse que resolve de "forma amistosa" um conflito que dura várias décadas entre a maioria hindu e a minoria muçulmana do país.

Antes da decisão, as autoridades indianas haviam reforçado a segurança em todo o país e Modi tinha feito um chamado à calma.

Em Ayodhya e arredores se reforçou a segurança e as escolas ficaram fechadas por medo aos distúrbios.

A decisão do tribunal supremo deve, segundo as autoridades, pôr fim a anos de polêmica e de violência ao redor da mesquita do século XVI, destruída em 1992 pelos nacionalistas hindus.

Zafaryab Jilani, advogado que representa um dos litigantes muçulmanos, disse que é "injusto" e que considera apresentar uma petição de revisão.

"Agora, finalmente, as negociações e inclusive a política em torno disso cessarão", declarou à AFP Shubham Maheshwar, de 25 anos, um habitante de Ayodhya cuja família vive a 400 metros do local.

O ataque de 1992 foi realizado por 200.000 nacionalistas hindus e provocou os confrontos mais graves da Índia desde a independência, em 1947, nos quais morreram 2.000 pessoas, em sua maioria muçulmanos.

Dez anos depois, o incêndio de um trem procedente de Ayodhya matou 59 militantes hindus e provocou novos confrontos que deixaram mil mortos.

Os nacionalistas hindus - incluindo partidários do Partido Bharatiya Janata (BJP), partido do primeiro-ministro Modi - acreditam que Ram, seu deus guerreiro, nasceu em Ayodhya, e que Babur, o primeiro soberano muçulmano do império Mughal, construiu a mesquita Babi no lugar de um templo Hindu.

Nos últimos dias, Narendra Modi havia instado a comunidade hindu a não celebrar veementemente um possível veredicto favorável. Por seu lado, representantes da comunidade muçulmana também pediram calma aos seus fiéis.

"Qualquer que seja o veredicto da corte suprema, não haverá vencedor nem perdedor", tuitou Modi na noite de sexta-feira.

"Peço ao povo da Índia que mantenha como prioridade que esse veredicto reforce os valores de paz, igualdade e boa vontade de nosso país", acrescentou o primeiro-ministro.

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