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Falar em 2022 é "miopia", diz Boulos em São Bernardo após soltura de Lula

Guilherme Boulos (PSOL) participa de protesto pró-Lula na avenida Paulista - Téo Takar/UOL
Guilherme Boulos (PSOL) participa de protesto pró-Lula na avenida Paulista Imagem: Téo Takar/UOL
do UOL

09/11/2019 12h24

Resumo da notícia

  • Para o ex-candidato do PSOL, o importante é fazer oposição a Bolsonaro
  • Segundo ele, objetivo do petista é rodar o país para "enfrentar esse desgoverno"
  • "O Lula que sai da cadeia é um Lula mais combativo", disse

O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), Guilherme Boulos, disse hoje em São Bernardo do Campo, em evento para receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é "miopia" falar nas eleições de 2022 no campo da esquerda.

Segundo Boulos, que foi o candidato do PSOL a presidente no ano passado, o importante para a esquerda agora é fazer oposição ao "projeto de destruição" do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Vi muita gente falando: ah, começou 2022. Isso é miopia, e não acho que essa é a opinião dele. Quem na esquerda hoje tiver pensando agora com a cabeça em 2022 não está entendendo o que acontece no Brasil. Tem um projeto de destruição em curso. Tem um alucinado na Presidência da República, ligado a miliciano. A ordem do dia é derrubar esse projeto"

Lula foi solto ontem depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) decidir que réus só podem ser presos depois de esgotar os recursos na Justiça. No entanto, como já foi condenado em duas instâncias, ele continua inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A defesa de Lula e seus aliados aguardam o julgamento de um pedido de suspeição do ministro Sergio Moro, que quando era juiz condenou o petista no caso do triplex. Se Moro for considerado suspeito, o caso será anulado, e Lula recupera o direito de disputar eleições.

Para Boulos, a soltura de Lula não significou só o respeito à Constituição, mas "o começo do fim de um xerife chamado Sergio Moro, que rasgou a Constituição".

Questionado se a saída de Lula pode deixar a política mais radicalizada, Boulos disse que não dá para esperar uma oposição "dócil" frente ao governo Bolsonaro.

Não podemos ter um governo selvagem, de destruição, e as pessoas terem a expectativa de uma oposição domesticada, dócil. É expectativa de viúva do centrão que está em busca de um centro perdido, que não existe mais."

Ainda segundo Boulos, que conversou com Lula ontem, o objetivo do petista é rodar o país para "enfrentar esse desgoverno do Bolsonaro e enfrentar essa agenda do Paulo Guedes."

"O Lula que sai da cadeia é um Lula mais combativo, até porque o país mudou também."

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