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Casa que frequento no condomínio é a do Lessa, diz acusado no caso Marielle

Ex-PM: a casa que frequento no condomínio de Bolsonaro é a de Ronnie Lessa

UOL Notícias
do UOL

Flávio Costa e Luís Adorno*

Do UOL, em São Paulo

08/11/2019 14h45Atualizada em 08/11/2019 16h30

Resumo da notícia

  • Élcio está preso, acusado de dirigir carro no atentado contra Marielle
  • No dia do crime, há registro da entrada dele em condomínio no Rio
  • No local têm casa Ronnie Lessa, também acusado, e Jair Bolsonaro
  • Porteiro afirmou que Élcio teria dado número da casa do presidente

O ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz afirmou em depoimento à Justiça que a única casa de frequenta no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), é a do PM da reserva Ronnie Lessa. Os dois estão presos desde março sob acusação de serem os autores do atentado que resultou na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018.

Em depoimento prestado no último dia 4 de outubro, por meio de videoconferência, o réu afirmou ao ser questionado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) que sabe que o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), tem casa no condomínio. Porém, reiterou "que a única casa que frequenta é a de Ronnie Lessa".

Élcio não foi questionado sobre o que disse ao porteiro do condomínio quando chegou ao local no dia 14 de março de 2018, data do atentado contra Marielle e Anderson.

Documentos obtidos pelo UOL apontam que a Polícia Civil recebeu no dia 14 de outubro as gravações da portaria do Vivendas da Barra, onde residem Bolsonaro e Lessa.

De acordo com a denúncia do MP, o ex-PM dirigiu o carro usado no atentado. Durante seu interrogatório, ele negou qualquer participação no crime e disse que "está sendo enterrado vivo em um presídio federal".

Porteiro citou Bolsonaro

Em depoimento à Polícia Civil do Rio, um porteiro do condomínio afirmou que, ao entrar no Vivendas na tarde daquele dia 14 de março de 2018, data do atentado, Élcio teria informado que iria à casa 58 - onde morava Bolsonaro.

O porteiro teria conversado, por um sistema de comunicação, com alguém no imóvel do atual presidente. Naquela ocasião, segundo ele, "seu Jair" liberou a entrada.

Essa versão baseia-se em anotações em um livro da portaria e em dois depoimentos do empregado. Neles, o porteiro teria dito à polícia que, ao verificar, pelas câmeras de vigilância, que o visitante não ia para a casa de Bolsonaro, mas para o imóvel de Ronnie Lessa, teria ligado novamente para a casa do então deputado federal. "Seu Jair" teria dito que sabia para onde Élcio se dirigia.

Nesse dia, porém, Bolsonaro estava em Brasília segundo registros, onde gravou vídeos e computou presença em votações na Câmara.

O conteúdo do depoimento do porteiro foi revelado pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo, na semana passada.

Na ocasião, o advogado Frederick Wassef, que representa Bolsonaro, negou a versão do porteiro. Afirmou que se tratava de uma "tentativa de atingir o presidente".

No dia seguinte, o Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) convocou entrevista coletiva para afirmar que a informação fornecida pelo porteiro era falsa. Baseou-se em um exame realizado naquele dia, em menos de três horas, como mostrou a reportagem.

A Polícia Civil do Rio apreendeu ontem o sistema de comunicação da portaria do condomínio A intenção da Polícia é fazer uma perícia para tentar esclarecer a entrada de Élcio no condomínio no dia da morte de Marielle.

*Com informações do jornal Estado de S.Paulo.

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