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Bolsonaro erra dado sobre negócios ao discursar para empresários árabes

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Imagem: Arte/UOL
do UOL

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/11/2019 04h01

Um dos principais objetivos da viagem recente do presidente Jair Bolsonaro (PSL) pela Ásia foi estreitar laços econômicos e melhorar parcerias. Em visita aos Emirados Árabes Unidos, ele destacou o aquecimento da economia brasileira.

"[O Brasil] evoluiu 15 degraus na facilidade de fazer negócios", declarou o presidente, em encontro com empresários árabes.

Presidente erra ao divulgar dado sobre negócios

O que aconteceu foi o contrário: o Brasil não subiu, mas caiu 15 posições no ranking Doing Business, que mede a facilidade de fazer negócios, neste ano.

Agora, o país ocupa 124º lugar, atrás de países como Senegal, Papua-Nova Guiné e Namíbia.

Elaborado pelo Banco Mundial, o ranking analisa 190 nações e dá notas mais altas para locais em que as regulações do ambiente de negócios sejam mais propícias ao empreendedorismo.

A nota brasileira foi calculada em 59,1, uma alta tímida sobre os 58,6 no ranking de 2018, quando o país ocupava a 109ª posição.

Diversos quesitos que envolvem o ambiente de negócios são avaliados. O Brasil teve o melhor resultado em "Execução de Contratos", no qual ocupou o 58º lugar, e os piores em "Pagamento de Impostos" (184º) e "Obtenção de Alvará de Construção" (170º).

O primeiro lugar ficou com a Nova Zelândia, com nota geral de 86,8, seguida por Singapura e Hong Kong.

Queda não se deve à gestão Bolsonaro

Apesar de o presidente inverter o dado, a queda do Brasil no ranking não está relacionada ao seu governo. O Doing Business é medido de abril a abril, o que quer dizer que os investidores só tiveram uma amostra de quase quatro meses do novo governo para avaliar.

"Este período não é nada. Nesta época, só uma ou outra mudança proposta pelo governo já havia sido encaminhada. O país caiu no ranking por causa das expectativas frustradas e não alcançadas em 2018", avalia Leon Rangel, consultor de relações governamentais da BMJ Investimentos.

Para ele, a "prova de fogo de Bolsonaro" será na lista lançada no ano que vem, quando os 12 meses avaliados já estarão sobre sua gestão.

"Aí já terá a Reforma da Previdência, a MP [Medida Provisória] da Liberdade Econômica e talvez outras propostas, como a Reforma Tributária, que está sendo debatida", afirma o consultor financeiro.

"O governo tem um pouco de capital para melhorar este resultado. Se vai melhorar ou não, eu não tenho como dizer, mas as medidas de fato ainda serão avaliadas", conclui.

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