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Ativistas jogam tinta preta no Palácio do Planalto contra vazamento de óleo

Ativistas protestam em frente ao Palácio do Planalto contra vazamento de óleo  - Christian Braga
Ativistas protestam em frente ao Palácio do Planalto contra vazamento de óleo Imagem: Christian Braga
do UOL

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

23/10/2019 11h23

Resumo da notícia

  • Defensores do meio ambiente reclamam da lentidão do governo em conter o óleo
  • Praias do Nordeste têm aparecido contaminadas desde o final de agosto
  • Ministério ataca ONGs e diz que "depredam patrimônio público"

Ativistas ambientais do Greenpeace jogaram tinta preta na entrada do Palácio do Planalto em alusão à contaminação de óleo no litoral do Nordeste.

Os manifestantes se vestiram de preto, levantaram cartazes com críticas à "lentidão" das ações governamentais para conter ou descobrir as razões para o desastre ambiental.

Eles também levaram réplicas de barris de petróleo e os posicionaram em frente ao prédio da Presidência da República. Os ativistas simularam uma praia ao espalharem areia sobre uma lona azul, onde despejaram o líquido, uma mistura de óleo e tinta.

Segundo o Greenpeace, alguns dos ativistas acabaram detidos durante a manifestação. Eles foram levados para o 5º DP da capital federal para averiguação. Após algumas horas, eles foram liberados e ainda não há acusações formais. "O protesto pacífico é um direito garantido na Constituição e não configura crime", afirma a entidade por meio de nota. "A madeira utilizada no protesto foi trazida da Amazônia legal e o óleo foi feito de maisena, água, óleo de amêndoas e corante líquido preto, e não é permanente."

Durante a ação, eles exibiram faixas como "um governo contra o meio ambiente", "Brasil manchado de óleo" e "Pátria queimada, Brasil".

Ativistas em frente ao Palácio do Planalto - Adriano Machado
Ativistas em frente ao Palácio do Planalto
Imagem: Adriano Machado
"Em vez de focar na resolução do problema com eficiência, o presidente Jair Bolsonaro viajou para o exterior enquanto o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tenta mascarar a sua inação desviando a atenção do problema e jogando a responsabilidade para a população e organizações não governamentais", afirmou Thiago Almeida, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Mais uma vez, o governo mente sobre a atuação de ONGs, como vimos nas queimadas na Amazônia, como forma de desviar a atenção da sua própria falta de ação e incompetência
Thiago Almeida, do Greenpeace

Desde o final de agosto, as manchas de petróleo atingem a região Nordeste. Segundo o Greenpeace, a ONG vem ajudando a limpar as praias e documentando os locais atingidos. "Um papel que deveria ser do governo, mas que, por completa falta de competência, pouco fez de efetivo", afirmam em nota.

Ativistas jogam mistura de tinta e óleo em frente à sede da Presidência - Adriano Machado
Ativistas jogam mistura de tinta e óleo em frente à sede da Presidência
Imagem: Adriano Machado
"Desde que tomou posse, o governo Bolsonaro tem esvaziado e enfraquecido órgãos de proteção e fiscalização ambiental, ameaçando rever Unidades de Conservação e abrir terras indígenas para interesses econômicos", afirma Cristiane Mazzetti, da campanha de Florestas do Greenpeace Brasil. "O presidente fez inúmeros discursos que encorajam o crime ambiental. Agora, estamos vendo o resultado desta política."

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente denuncia "depredação do patrimônio". "Não bastasse não ajudar no esforço de limpeza das praias, o Greenpeace ainda depreda patrimônio público", diz.

Retirada de óleo da praia de Carneiros, em Tamandaré

redacaojornaldocommercio

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