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Chile tenta recuperar a calma após dias de protestos que deixaram 15 mortos

22/10/2019 13h53

SANTIAGO (Reuters) - A capital do Chile e outras cidades do país tentavam recuperar certa normalidade nesta terça-feira, após vários dias de protestos intensos que deixaram 15 mortos e mais de 2.600 detidos em todo o país, mas as ruas do centro ainda estavam repletas de escombros e restos de barricadas.

Grupos de estudantes voluntários ajudavam a recolher pedaços de concreto e de vidro na esteira das manifestações recentes, que normalmente começaram como atividades pacíficas, mas degeneraram em desordem e saques realizados por homens encapuzados.

As ruas também estavam ocupadas por transeuntes que buscavam alguma forma de chegar ao trabalho, apesar do transporte público limitado, que foi alvo dos destroços no início da revolta provocada pelo aumento no preço do metrô de Santiago.

"Por um lado estamos de acordo com tudo isto, ganhamos pouco, só dá para pagar a passagem. O que não apoio é a desordem e os saques. Isso não deveria estar acontecendo", disse Roxana Yañez, de 56 anos, que lutava para chegar ao emprego.

Grandes filas nos poucos supermercados em atividade e nos caixas automáticos para tirar dinheiro continuavam sendo vistas nas primeiras horas do dia.

O subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla, disse que a Procuradoria-Geral investiga as mortes de pessoas baleadas e que há quase duas centenas de feridos, entre civis e uniformizados.

Enquanto isso, os trabalhadores de Escondida, a maior mina de cobre do mundo e controlada pela BHP, iniciaram uma paralisação de cinco horas em apoio aos protestos, disse à Reuters o chefe do sindicato, Patricio Tapia.

    Com respeito à eventual perda de produção, o dirigente explicou que "vamos recuperá-la no trabalho de todos os dias".

O aeroporto de Santiago, que sofreu centenas de cancelamentos de voos e atrasos, retomava lentamente suas operações.

Os protestos começaram com convocatórias de estudantes nas redes sociais para não pagar a passagem de metrô, o mais moderno da América Latina. Mas queixas de longa data a respeito da desigualdade do acesso à educação, à saúde e das pensões insuficientes, entre outros, se somaram durante a revolta social.

Os saques maciços e a destruição de mobiliário urbano levaram as autoridades a declararem estado de emergência e um toque de recolher na capital, uma medida que não era vista no Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet. Os militares montaram guarda na capital e em outras cidades.

(Por Fabián Andrés Cambero, Dave Sherwood e Natalia Ramos)

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