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Figura-chave do caso Ucrânia, secretário de Energia dos EUA entrega o cargo

17/10/2019 20h36

Washington, 17 out (EFE).- Considerado como um dos protagonistas na atuação da Casa Branca para pressionar o governo da Ucrânia a investigar adversários do Partido Democrata, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Rick Perry, informou nesta quinta-feira ao presidente do país, Donald Trump, de que deixará o cargo em breve.

Veículos da imprensa americana noticiaram que Perry avisou a Trump sobre a renúncia durante uma viagem para o Texas. A saída do governo, porém, não tem efeito imediato e ainda não está claro quando o ex-governador do estado entregará o cargo.

Um dos poucos remanescentes da primeira equipe de secretários formada por Trump, Perry estava há algum tempo pensando em deixar o governo e inclusive já tinha sugerido a renúncia antes do início da crise envolvendo a Ucrânia.

Desde que o escândalo abalou as estruturas da Casa Branca, o nome de Perry tem ocupado as manchetes por ter feito parte do trio responsável pela política dos EUA na Ucrânia ao lado do embaixador americano na União Europeia (UE), Gordon Sondland, e do ex-enviado especial para Kiev Kurt Volker.

Em entrevista concedida ontem ao jornal "The Wall Street Journal", Perry admitiu que conversava com o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, sobre assuntos relacionados à Ucrânia, o que mostra o grau de influência do ex-prefeito de Nova York na política externa da Casa Branca em relação ao país.

Perry explicou ao "Journal" que estava tentando organizar uma reunião entre Trump e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski. Ele, então, teria recebido do presidente americano um pedido para ligar para Giuliani, que lhe explicaria as preocupações relativas à corrupção em Kiev.

O ex-governador do Texas negou ter ouvido de Trump ou de Giuliani qualquer desejo de investigar o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho, Hunter Biden, uma proposta feita por Trump a Zelenski durante uma ligação telefônica em julho.

O ainda secretário de Energia está na mira dos democratas que abriram um processo de impeachment contra Trump na Câmara de Representantes e tem até sexta-feira para atender a uma ordem judicial para entregar documentos sobre a atuação em relação à Ucrânia.

Sondland foi ouvido hoje em uma audiência a portas fechadas na Câmara de Representantes e confirmou o destacado papel que Giuliani tinha na política americana para a Ucrânia. O advogado é o principal defensor da teoria que Biden e Hunter devem ser investigados.

"Nos decepcionou a ordem do presidente para que envolvêssemos Giuliani", disse Sondland em trecho do depoimento vazado à imprensa.

Na entrevista concedida ontem ao "Journal", Perry disse que planejava permanecer no cargo pelo menos até o fim de novembro. Por outro lado, fontes ligadas ao "The New York Times" disseram que o ainda secretário buscará um emprego no próprio setor energético. EFE

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