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À espera do 'Big One', Califórnia lança app de alerta para terremotos

17/10/2019 20h33

Los Angeles, 17 Out 2019 (AFP) - A Califórnia lançou nesta quinta-feira (17) um aplicativo móvel de alerta sísmico, o primeiro dos Estados Unidos, que permitirá ganhar segundos valiosos antes do impacto de um terremoto.

"Alerta de terremoto. Abaixe-se, abrigue-se e segure-se. É esperado um tremor", diz a mensagem que será enviada aos usuários do "MyShake" entre 10 e 20 segundos antes da ocorrência de um tremor, informaram as autoridades locais.

O dispositivo, que alerta para sismos de magnitude 4,5 em diante, foi lançado em Oakland, uma das áreas atingidas há exatos 30 anos pelo terremoto de Loma Prieta, de 6,9 e que deixou 63 mortos e mais de 3.700 feridos na área da baía de San Francisco.

Dois terremotos, de magnitudes 6,4 e 7,1, o mais potente desde 1999, foram reportados em julho no sul da Califórnia, que vive a expectativa do chamado "Big One", um megassismo potencialmente devastador.

Esta semana, outro par de sismos, de 4,5 e 4,7, foram registrados no norte do estado.

"Especialistas preveem que há uma possibilidade de 99,7% de que nos próximos 30 anos experimentemos um terremoto superior a [magnitude] 6,7", disse o governador Gavin Newsom na apresentação do app. E "hoje estamos dando um grande passo em termos de prevenção".

O MyShake foi desenvolvido pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, pelo Instituto Tecnológico da Califórnia (Caltech) e pelo Servo~p Geológico dos Estados Unidos (USGS).

O alerta é proporcional à distância que o usuário está do epicentro: quanto mais longe, mais tempo, entre 10 e 20 segundos.

"Vinte segundos é um tempo nada insignificante para nos assegurarmos de parar o metrô, desligar um elevador, abrir portas de emergência, também as da estação de bombeiros", disse o governador.

O México e o Japão já têm sistemas de alerta sísmico operacionais, mas o da Califórnia é o primeiro dos Estados Unidos.

Os criadores do MyShake explicaram que o grande desafio no estado é que as falhas geológicas atravessam cidades e montanhas, enquanto que nestes países se encontram longe da costa, dando mais tempo para agir.

"Este sistema está desenhado para detectar um terremoto que já começou", explicou o diretor do Escritório dos Serviços de Emergência, Mark Ghilarducci.

"Quando o terremoto começa, os sensores de movimento do terreno o detectam e compilam informação rapidamente, permitindo ao sistema estimar o tamanho e a localização potencial do terremoto", acrescentou.

A importante atividade sísmica da Califórnia se deve à falha de San Andreas, onde se cruzam as placas tectônicas do Pacífico e da América, e atravessa o estado mais populoso dos Estados Unidos de norte a sul.

Los Angeles registrou seu último grande sismo em 1994: de magnitude 6,7, provocou pelo menos 60 mortos e mais de 9.000 feridos.

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