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Catalunha vive 3º dia de protestos após condenação de separatistas

16/10/2019 22h47

(Atualiza com mais informações).

Madri/Barcelona, 16 out (EFE).- A região da Catalunha, no nordeste da Espanha, vive nesta quarta-feira o terceiro dia de protestos após a condenação do Tribunal Supremo do país a líderes separatistas que tiveram participação no referendo independentista de 2017 - eles receberam penas de 9 a 13 anos de prisão.

Manifestantes radicais incendiaram lixeiras, montaram barricadas nas principais capitais da comunidade autônoma e entraram em confronto com as forças de segurança. Enquanto isso, o governo da Espanha intensificava os contatos com políticos locais para pedir a condenação desses atos.

Segundo a Mossos d'Esquadra, a polícia autônoma da Catalunha, 20 pessoas foram presas hoje em diversos pontos da região por terem participado da violência registrada nos protestos contra a sentença do Tribunal Supremo.

Além disso, 41 pessoas ficaram feridas, duas delas em estado grave, de acordo com boletim divulgado pelo Sistema de Emergências Médicas (SEM).

Em entrevista coletiva depois de se reunir com os principais partidos com representação no Parlamento do país, o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, exigiu hoje ao líder do governo regional, o independentista Quim Torra, que repudie os atos violentos.

Respondendo à pressão de Madri, Torra, que participou de uma das "marchas pela liberdade" convocadas para hoje, atribuiu os incidentes a "infiltrados" entre os manifestantes que querem a separação da Catalunha e exigiu o fim da violência.

Sánchez rejeitou a aplicação do artigo 155 da Constituição - que faria a Catalunha perder a autonomia de governo - ou da Lei de Segurança Nacional, aprovada pelo PSOE e PP em 2015, que oferece ao governo "autoridade funcional" para dirigir as ações "em matéria de segurança e ordem pública" diante de uma situação de interesse para a nação.

Em relação a Torra, Sánchez afirmou que nenhum governante "pode ocultar seu fracasso com cortinas de fumaça e fogo" e disse que ele tem o dever "moral e político" de impedir os distúrbios.

As "marchas pela liberdade" começaram hoje. Milhares de catalães tomaram as estradas da região e começaram a avançar até Barcelona, onde pretendem se reunir na próxima sexta-feira, dia escolhido por sindicatos independentistas para convocar uma greve geral.

Já na madrugada de quinta-feira na Espanha, Torra fez um pronunciamento em rede regional de televisão, pediu serenidade aos manifestantes e o fim dos atos de vandalismo para que a violência não prejudique a imagem dos independentistas.

"Isso deve parar. Não há razão ou justificativa para um ato de vandalismo. Não devemos cair nas armadilhas. Não toleraremos as provocações de parte de uns poucos", disse o presidente regional da Catalunha.

Segundo os organizadores, os protestos de hoje reuniram 22 mil pessoas nas ruas de Barcelona. No entanto, alguns manifestantes foram depois do ato para a sede da Secretaria de Interior da Espanha, jogando pedras e garrafas contra os agentes que protegiam o prédio.

Os policiais responderam com bombas de gás lacrimogêneo, o que fez os manifestantes erguerem barricadas nas ruas próximas à Secretaria de Interior e a queimarem lixeiras, motos e carros estacionados na região.

OPOSITORES PEDEM CONTUNDÊNCIA

Os líderes do Partido Popular (PP), Pablo Casado, e do Ciudadanos, Albert Rivera, exigiram que Sánchez atue com contundência contra os manifestantes. Já o secretário-geral da coalizão Unidas Podemos, Pablo Iglesias, disse que apoiará o governo em medidas destinadas a desinflamar a situação e criticou as propostas feitas pelos opositores.

O Vox, partido de extrema direita que elegeu seus primeiros deputados nas últimas eleições, não foi incluído nas reuniões convocadas por Sánchez hoje. No entanto, a legenda foi além das propostas de PP e Ciudadanos, exigindo que o presidente do governo da Espanha declare estado de exceção devido à "gravidade excepcional" dos fatos ocorridos na Catalunha. EFE

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