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Venda de fatias em rodovias colombianas pode render US$ 3 bi

Ezra Fieser

15/10/2019 14h08

(Bloomberg) -- Participações em rodovias com pedágio na Colômbia podem ser colocadas à venda por até US$ 3 bilhões nos próximos meses, em meio à corrida de construtoras para levantar recursos e investir em uma nova onda de projetos de infraestrutura, segundo pessoas com conhecimento dos planos.

Incorporadoras avaliam vender participações em mais de uma dúzia de projetos, que geram receita através de pedágios e garantias do governo, segundo as pessoas. As concessões foram concedidas pelo governo para construir e operar estradas na Colômbia.

A gigante britânica de infraestrutura John Laing já comprou uma participação de 30% em um projeto de uma rodovia de 236 quilômetros, conhecida como Ruta del Cacao, e abriu um escritório em Bogotá. E a Odinsa, subsidiária do conglomerado colombiano Grupo Argos, adquiriu uma participação majoritária em um túnel que atravessa uma montanha nos arredores da cidade de Medellín. As participações valem cerca de US$ 160 milhões. Investidores estrangeiros e locais devem disputar outros projetos nos próximos meses, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas porque as negociações são confidenciais.

"Várias construtoras e incorporadoras estão tentando vender seus ativos como parte de um ciclo em que ficam entre 1 a 3 anos em um projeto, assumem o risco de construção e depois vendem para obter lucro", disse Andres Crump, sócio do Baker McKenzie, que coordena o grupo de fusões e aquisições do escritório de advocacia, em Bogotá. "Elas precisam reciclar o capital porque têm muitos outros projetos nos quais precisam investir. É uma tendência que continuaremos vendo no futuro."

Um porta-voz da Agência Nacional de Infraestrutura não fez comentários sobre as prováveis vendas, já que os acordos não envolvem a agência.

A potencial onda de vendas pode marcar uma virada para o investimento no setor na Colômbia. O país enfrenta um déficit de financiamento de investimento rodoviário de US$ 75 bilhões até 2040, segundo as tendências atuais, de acordo com o Global Infrastructure Hub, uma iniciativa do G-20 que acompanha o setor.

O investimento foi paralisado em 2017 em meio ao escândalo de corrupção em rodovias que fazia parte do esquema de propinas da Odebrecht na região. Bancos domésticos interromperam os empréstimos para projetos e investidores estrangeiros recuaram em meio à incerteza. O interesse voltou como o plano do presidente Ivan Duque de retomar um programa de construção de rodovias, conhecido como 4G, que prevê a construção de dezenas de estradas em todo o país para facilitar e baratear o transporte de mercadorias por empresas.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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