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Rafael Correa: "O governo de Moreno está clinicamente morto"

14/10/2019 19h16

Carlos Martos e Julio Gálvez

Bruxelas, 14 out (EFE).- O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou em entrevista à Agência Efe que o governo de seu sucessor, Lenín Moreno, está clinicamente morto e insiste na antecipação das eleições para que o país possa superar a crise instalada nos últimos dias.

"Temos um governo clinicamente morto, não há governo. Ninguém vai reconhecer sua autoridade", declarou o político diretamente de Bruxelas, capital da Bélgica, onde reside.

Além disso, Correa considera que não havia necessidade de acionar o Fundo Monetário Internacional (FMI) e que a crise econômica no país foi induzida, após o governo ter adotado medidas que reduziram a receita, aumentaram as despesas e cortaram fontes internas de financiamento.

O antigo mandatário se manifestou depois dos protestos registrados no Equador por conta da decisão do governo de Moreno de eliminar os subsídios a combustíveis, e que, até o momento, deixaram pelo menos sete mortos e mais de mil feridos, de acordo com informações da Defensoria do Povo.

"Moreno deveria ser julgado por crimes. Há mortos, há feridos, há abusos", enfatizou, se referindo à repressão dos protestos, que, em sua opinião, alcançaram uma magnitude que não foi vista nem mesmo na época da ditadura.

No entanto, no último domingo, o governo chegou a um acordo com os indígenas equatorianos, mediante o qual revogará o decreto 883, que eliminou o subsídio aos combustíveis.

Esse decreto se referia às exigências de austeridade do FMI e outras entidades em troca de uma linha de crédito de mais de US$ 10 bilhões.

Correa insistiu, porém, que Moreno não pode seguir governando e afirma que a popularidade do atual presidente entre a população é inferior a 4%.

ELEIÇÕES O ex-presidente equatoriano afirmou que a Constituição permite antecipar as eleições e defendeu que apenas desta forma o país voltará a ter um governo "legítimo que poderá continuar administrando o bem comum".

"Mas, por cálculos políticos, como sabem que perderão as eleições, eles preferem os grupos de poder que manipulam esse presidente, pois ele é um fantoche, e o mantêm no poder às custas do país", apontou.

Questionado se ele concorreria a um hipotético pleito, o ex-mandatário respondeu que seu plano é permanecer na Bélgica, onde vive atualmente, mas não descartou concorrer a futuras eleições.

"Se estiver que estar lá para ajudar na recuperação da pátria, estarei. Mas, a princípio, o meu plano de vida é ficar aqui na Bélgica", afirmou.

"Se tiver que me candidatar para algum cargo, vencer e recuperar o país, terei que estar lá, mas apenas até recuperar o país", declarou Rafael Correa, acrescentando que, uma vez recuperada a "institucionalidade" e a "democracia" mediante uma Assembleia Constituinte, retornaria à Bélgica.

Em todo caso, o ex-presidente lembrou que, caso retorne ao Equador, seria preso por conta dos processos judiciais abertos contra ele, embora sustente que "são tão ridículas as acusações, que em nível internacional ninguém prestou atenção".

"Se eu ponho um pé (no país), me prendem. Não tem problema, desde que me deixem concorrer como candidato para as eleições", ressaltou.

Segundo Correa, querem fazer com ele "o mesmo que fizeram com (o ex-presidente brasileiro) Lula", já que foi impedido de concorrer às eleições presidenciais do ano passado por ter sido condenado em segunda instância.

CRISE Apesar do acordo entre o governo de Moreno e indígenas, Rafael Correa nega que a crise tenha terminado com a revogação do decreto 883 e explicou que as detenções, buscas e apreensões continuam. Como exemplo, citou a prisão, hoje, da governadora da província de Pichincha, Paola Pabón.

Desta forma, ele advertiu que, se a crise não for superada democraticamente, o descontentamento popular seguirá aumentando, seja por razões econômicas, insegurança, políticas ou sociais.

Segundo o ex-presidente, a crise pode aumentar ainda mais, embora reconheça que a tensão social possa diminuir, mesmo que de maneira temporária, já que, em sua análise, o governo terá problemas constantes devido à falta de autoridade de Moreno.

"Ele não será capaz de governar. Temos um governo em estado vegetativo", afirmou.

Sobre a violência dos protestos, considerou que a população está cansada após dois anos e meio de decepção, se referindo ao período em que Lenín Moreno está no poder.

O ex-presidente equatoriano também acredita que as bases indígenas levantaram as vozes contra lideranças de seus povos com os protestos.

"A liderança indígena, até poucas horas, apoiava Moreno, na Assembleia", relembrou, acrescentando que a repressão e exclusão continuarão.

"Infelizmente, essa liderança indígena e o partido indígena Pachakutik se tem prestado e seguem se prestando a esse papel", completou.

Diante das acusações da presidência equatoriana de que estaria por trás das manifestações, Rafael Correa ironizou que, graças ao seu telefone celular, deslocou dezenas de milhares de pessoas e financiou os protestos.

"Além disso, tenho o dom da onipresença", ironizou, após rumores de que teria viajado até a Venezuela.

"É uma amostra dos absurdos, do desespero dessa gente, que já cai no patológico. Já existe um desequilíbrio mental", finalizou. EFE

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