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Pela primeira vez em décadas, iranianas podem ir a um estádio de futebol

10/10/2019 16h18

Milhares de mulheres iranianas, exibindo bandeiras e tirando selfies, puderam assistir livremente nesta quinta-feira (10) a uma partida de futebol pela primeira vez em décadas. A Fifa chegou a ameaçar suspender o país devido às restrições de gênero nos estádios.

Milhares de mulheres iranianas, exibindo bandeiras e tirando selfies, puderam assistir livremente nesta quinta-feira (10) a uma partida de futebol pela primeira vez em décadas. A Fifa chegou a ameaçar suspender o país devido às restrições de gênero nos estádios.

Torcedoras entusiasmadas colocaram a bandeira nacional nas cores verde, branca e vermelha sobre os ombros ou em volta da cabeça e foram ao estádio Azadi de Teerã, com capacidade para 100.000 espectadores. Uma seção especifica foi reservada a elas.

Algumas usaram chapéus festivos por cima dos véus e pintaram os rostos com as cores da bandeira, para torcer pela seleção do país no duelo contra o Camboja, pelas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2022. Os sorrisos nos rostos evidenciam um dia de glória paras mulheres iranianas, antes mesmo do início da partida. A alegria ficou ainda mais clara a cada gol marcado pela seleção, que venceu a partida por impressionantes 14 a 0.

Durante quase 40 anos, a República Islâmica proibiu as mulheres de frequentarem estádios de futebol ou de outros esportes. Os líderes religiosos do país argumentam que as mulheres precisam ser protegidas da atmosfera masculina dos estádios.

Torcedora morreu por partida

Em setembro, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) ordenou que o país permitisse o acesso das mulheres aos estádios sem restrições e em quantidades determinadas pela demanda dos locais das partidas. A decisão foi motivada pela trágica morte de Sahar Khodayari, que ateou fogo em si mesma diante de um tribunal, após ser julgada por assistir a uma partida entre dois clubes do Irã.

Conhecida como "a garota de azul" devido às cores de sua equipe, o Esteghlal FC, Khodayari havia sido presa no ano passado, por tentar assistir a uma partida vestida de homem. Sua morte causou grande comoção e levou a pedidos de suspensão do Irã na Fifa.

Cerca de 4.500 mulheres conseguiram ingressos para a partida desta quinta-feira, que contou com público total de cerca de 10.000 espectadores. Muitas, porém, ficaram decepcionadas por não terem conseguido um ingresso.

"Tenho 18 anos e durante 14 sonhei em poder ir a um estádio", declarou à AFP a estudante Guelareh. "Mas, infelizmente, não consegui comprar um ingresso."

"As mulheres da liberdade"

Embora não seja a primeira vez que mulheres assistem a uma partida de futebol no país, o fato de poderem comprar ingressos é inédito. Em oportunidades anteriores, as que foram autorizadas a assistir os jogos foram cuidadosamente selecionadas pelas autoridades.

O jornal reformista Sazandegui comemorou a decisão, publicando uma foto com duas torcedoras juntas e o título: "As mulheres da liberdade".

Para alguns homens, o encontro nas arquibancadas mereceu comemoração. "É um grande sentimento estarmos aqui juntos, finalmente. Só desejamos que isso continue no futuro", declarou um torcedor.

Uma delegação da Fifa assistiu ao jogo para garantir que o Irã cumpriria a promessa de permitir a entrada de mulheres no estádio.

Com informações da AFP

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